Sempre achei que a moda pode bem ir além do que se veste. Tenho assistido, como mulher atenta que sou, à evolução do mercado do design – às vezes, escapam-se-me algumas coisas mas só porque nem sempre conseguimos ser não-sei-como-ela-consegue. Verdade?
As coisas estão a misturar-se. Isto é, a moda e o design estão, amiúde, a entrar noutras áreas, a fundir-se com elas, criando sinergias e tornando tudo mais homogéneo. Resultado: propaga-se o status quo. O caro não só pelo caro mas pela oferta diversa e de qualidade.
E para isto haverá sempre dinheiro.
Há dias decidi entrar no espaço Gant Gourmet. É uma nova aposta da marca americana e chegou a Lisboa (nomeadamente à flagshipstore da Avenida da Liberdade) há poucos meses (Setembro para ser mais concreta).
A ementa tem o carimbo do chef Chakall e portanto aqui a qualidade é garantida. É entrar, deslumbrar-se com o tamanho da loja e a simpatia dos empregados, e apaixonar-se – sobretudo quem não era (notem a utilização do pretérito imperfeito) minimamente interessada pela marca como eu – pelo universo Gant. Creio que, e esse é precisamente o objetivo, assim que se entra na loja e olhamos do lado direito o novo espaço, sentimo-nos acolhidos pela sofisticação, a combinar com uma iluminação perfeita e um chão em madeira rústica. Sim, parece que estamos em casa e eis que a Gant soma pontos.
Em Portugal, é provável que o Gant Gourmet seja um dos poucos espaços a criar este conceito semi-novo e, quanto a mim, em expansão – é esperar mais uns aninhos e veremos!
Mas o mundo há muito que percebeu que o caminho é por aí.
O espaço Marc by Marc Jacobs, aberto desde o ano passado em Milão, é disso exemplo. É certo que a indústria da moda está em grande escala concentrada nesta cidade, e que o público daqui nada tem a ver com o público do pequeno Portugal – e refiro pequeno sem entrar no cliché de estamos-sempre-a-desvalorizar-o-que-é-nosso, mas com a certeza de que dificilmente seremos sequer fatia dessa sociedade – seria precisa uma transformação cultural muito improvável.
Aparentemente, Marc by Marc Jacobs está sempre cheio. De jovens – alguns, talvez muitos, estudantes de moda, e ainda outras individualidades do meio.
Na talvez melhor estratégia de marketing concebida até então (opinião minha), a marca alargou o espetro aos espaços de lazer, estendendo a sua identidade a áreas complementares à primeira para provar que as tendências também se provam, para além de se vestirem.
E nós, fiéis clientes, seguiremos cada passo que nos aproxime dela e da identidade que lhe reconhecemos – que é também nossa.
A este mercado da fidelização (quase) ao segundo – as distrações são tantas! – outras marcas se somaram. Pensemos no Armani Caffè, no Trussardi Caffè, ou ainda na Maison Moschino, um hotel boutique concebido para reforçar a identidade da marca.
Os valores estão a alterar-se, é um facto. Se antes éramos impelidos a comprar abrutamente, hoje somos levados a refletir. Por isso, quando decidir entrar numa loja, procure estar nela primeiro. Sinta-a um bocadinho antes de tomar qualquer decisão. É uma forma de contornar a crise? Sim; mais consciente, pelo menos. E se acaso estiver indecisa entre comprar ou não, saiba que um brownie ou um cappuccino podem bem ser uma alternativa inteligente.




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