Ficou conhecida junto do grande público por ser Miss Portugal. Depois, pela Triumph. Mais tarde, iniciou a sua carreira na televisão com o programa Fama Show e, hoje em dia, é a cara das tardes da SIC. Já esperávamos ficar encantados com a beleza e boa disposição de Andreia Rodrigues, mas encontrámos muito mais que isso: uma mulher segura, carismática, de bem com a vida e sempre pronta para o que a vida lhe reserva. Uma entrevista que vai poder descobrir ao longo deste mês.

 

Foi Miss Portugal em 2008. Como foi toda a experiência?

Ui… Na verdade eu não fui “exactamente” Miss Portugal, ou pelo menos não foi eleita pelo modo convencional. A pessoa que tinha a patente decidiu voltar a levar uma representante à Miss Mundo. Como não houve tempo nem patrocínios para se realizar um concurso, a eleição foi por casting. Foram a várias agências ver várias modelos e convidaram-me para participar nesse casting.

A primeira vez que me convidaram eu disse que não queria ir, existe uma série de coisas com as quais não me identificava: algumas pessoas que concorrem a este tipo de concursos vivem muito isto (existem vários países com uma forte cultura neste sentido) e eu não me identificava com a rotina exigida– sou muito descontraída.

Acabei por ir, o concurso decorreu na África do Sul (um dos factores que me levou a querer ir foi a experiência mas também a minha grande paixão pelo continente africano), e acabou por ser uma experiência maravilhosa: conheci pessoas fantásticas e, costumo dizer que uma parte de mim ficou lá, mas trouxe muito. Apaixonei-me pela África do Sul, inesquecível , a cultura, as cores, os cheiros, as pessoas. Fizemos um safari de 7 dias, que foi uma das experiências mais marcantes da minha vida, conheci tribos, bebi água do rio que corria, estive lado a lado com a vida selvagem. Foi maravilhoso.

Foi uma óptima experiência mas quando me dizem “foi Miss Portugal” gosto de esclarecer que não fui eleita num concurso.

 

Foi uma experiência exigente?

Sim, foi um mês. Fui sozinha, a tripulação da TAP foi a minha companhia durante os últimos dias (foram, inclusive, torcer por mim no concurso).  Tive que levar muitos vestidos para eventos, juntamente com toda a outra roupa, e tudo que possam imaginar, que é necessário para  o dia a dia, de um mês– e lembro-me que, para não pagar tanto excesso, optei por levar os vestidos em braços… E aquilo custou imenso. Só pensei: “Que vida é esta de Miss? Isto não tem graça!!” (risos). Entretanto, à chegada, no aeroporto e no hotel, foi engraçado ver que muitas candidatas traziam com elas 5 e 6 pessoas. Claro que eu não era a única, a Miss Lituânia, que era minha colega de quarto, também estava sozinha, entre tantas outras.

Foi, essencialmente, uma grande experiência em termos pessoais, pela cultura que conheci naquele país – aprendi a dar valor a muitas coisas que, aqui, tinha como garantidas.

 

Como era a sua rotina enquanto modelo?

Nunca fui aquela mulher “magrinha, magrinha”. Nunca passei dos 59kg, sou geneticamente magra da cintura para cima, mas mais robusta no restante. A minha genética sempre foi assim. E, como sempre respeitei o meu corpo e a maneira como sou, o caminho sempre foi numa via mais comercial, mais publicitária, e não tanto como modelo de desfile, até porque tinha as medidas um pouco acima da média pedida. No entanto, acabei por ganhar algumas oportunidades por ter um corpo com outras “formas”, como, por exemplo, a Triumph.

 

No entanto, foi na comunicação que se focou, especialmente na televisão.

Sim, mas mais para a frente. Na escola, ao início, escolhi o agrupamento de Ciências. Apesar de sempre me terem dito que  tinha apetência para a comunicação, o meu fascínio era pelas ciências e pelos números. Queria descobrir algo, deixar a minha marca no mundo. Entretanto, no 11º desisti desta área e mudei para humanidades. Nesta troca, que me deixou alguns meses livres para “arrumar as ideias”, acabei por ir trabalhar  e no ano seguinte, quando voltei a estudar, continuei a trabalhar. Quando acabei o 12º ano, fiz uma nova pausa para decidir o que queria fazer (trabalhei muito na área da publicidade durante esse tempo). Com alguma indecisão ainda entre Relações Internacionais e Comunicação Social, candidatei-me às duas e tive notas para entrar para ambos os cursos. Inscrevi-me em RI, mas rapidamente percebi que estava errada e queria Comunicação. Entretanto, surge o Fama Show,  e dediquei a 300% a este projecto -.tinha de agarrar aquela oportunidade e não havia tempo para mais nada. Nunca mais parei!

Confesso que gostava muito de voltar a estudar, porque gosto, só pelo gozo de aprender, mas noutra área– psicologia ou nutrição, o meu outro lado que ficou para trás.

 

Qual o projecto que mais acarinha, até agora?

De televisão? É impossível dizer. Todos, todos, todos!, foram realmente muito especiais. Todos eles foram, num determinado momento, essenciais para eu ser quem sou hoje e para chegar onde cheguei. Cada um deles foi uma aprendizagem, um desafio.

O Fama ensinou-me muito sobre o que sei hoje sobre televisão – passava muito tempo na sala de edição, a ajudar os editores a construir as histórias. Isso ajudou-me muito: hoje em dia quando estou a entrevistar alguém, fora de estúdio, já estou a projectar o que vai ser o resultado final. O Gosto Disto foi muito especial, foi feito ao lado de uma pessoa de quem gosto muito, o César Mourão, e trabalhar ao lado de um humorista e actor, que vive do improviso, ensinou-me a improvisar também e a estar sempre atenta. O Cante Se Puder teve resultados maravilhosos, conquistámos as pessoas, foi muito especial e tive o prazer de trabalhar com um equipa que adorei.  Participei no Sabadabadão. E depois, vieram as Grandes Tardes. Em todos estes projectos dei tudo de mim e fiz o melhor que sabia. Em todos eles aprendi imenso e sinto que fui construindo a minha carreira degrau a degrau.

 

Estar em directo, toda a tarde, é um grande desafio?

Sim, é um grande desafio. O trabalho que é mostrado naquela tarde começa a ser feito muito antes. No dia anterior estudo o que vou apresentar no dia seguinte: quem vou entrevistar, perceber como é essa pessoa; de que tema vou falar, procurar aprender sobre o mesmo. Não só para estar o mais bem preparada possível, mas também para tentar dar algo de novo a quem nos vê.

O estar bem preparada faz com que, se algo falhar, eu tenha o maior número possível de ferramentas para seguir em frente. Em casos extremos um convidado pode faltar, ou podemos deixar de ter as indicações da equipa de edição. Ou seja, nunca sabemos o que pode acontecer mas, quanto mais bem preparada estiver, melhor.

Outro ponto muito importante é o facto de apresentar o programa com o João Baião. Temos coisas que somos parecidos, outras em que somos diferentes, e procuramos que essas semelhanças e diferenças enriqueçam o programa.

Todos nós cometemos erros mas, estando em directo, estamos “no olho do furacão”. Ou seja, se nós falhamos, todos vão ver. E também temos que lidar com isso!

 

O que mais gosta neste programa?

Gosto muito de fazer este programa: fazer companhia a quem está em casa, entreter, até somos um pouco “psicólogos” das pessoas. Gosto de aprender com as histórias. Gosto de ser o canal que liga o entrevistado à pessoa que está em casa. Falar para um público muito heterogéneo, pensar em como apresentar tudo de forma a que todos entendam.

Sinto-me muito acarinhada pelo público: gosto de sentir que “sou a neta, a filha, a amiga”. Nós não trabalhamos para a unanimidade, há sempre quem goste e quem não goste. Mas eu recebo muito bom feedback, na rua, na minha página da Facebook, e sentir que desperto algo de bom nas pessoas é algo que me deixa muito feliz.

 

Qual é a parte preferida do programa?

A abertura! Adoro começar. Adoro ouvir “4, 3, 2, 1. No ar!!”, adoro. Sinto que começo um novo desafio.

 

Fotografia: Dário Branco

Agradecimentos:

Hotel PortoBay Liberdade (link). 

Torres Joalheiros (jóias); Showpress (roupa); Raquel Peres (maquilhagem).