Um final de tarde animado: não esperávamos menos da bem-disposta Raquel Tavares. Canta e encanta, literalmente! Ao longo desta entrevista não faltaram risos e algumas palavras cantadas.

Prática, de bem com a vida e amante do Verão, a fadista conversou com o betrend sobre esta nova (e fantástica) fase da sua carreira.

 

Gosta de explorar vários papéis ligados à música? 

Gosto! Desde que comecei a viajar e a conhecer outros palcos, outras músicas e outras pessoas, porque não estava nada confortável com isso até há uns anos atrás, era só o fado. 
Eu comecei a cantar fado com 5 anos e até há 5 anos atrás era só fado, até que conheci outras terras com outras músicas de raiz, como é o fado, tens popular, tens urbano e perceber que no final  há mais mundo para desbravar, não só do ponto de vista pessoal mas também profissional.  Foi aí que fui buscar algumas ferramentas novas que me fizeram acreditar que podia  fazer um disco com um formato um bocadinho diferente que não o do fado tradicional que fiz toda a vida. 

Como foi a experiência pelo Brasil? 

O Brasil foi o sítio onde trouxe as maiores ferramentas, estive lá muito tempo, vivi muito a cidade do Rio de Janeiro e a cultura carioca, especialmente a música e acho que me tornei até um bocadinho daquilo, daquela forma mais livre e mais espontânea de estar na vida, muito mais leve e otimista. Nós temos aquela velha máscara de que somos um povo muito choroso e não é verdade, nós não somos um povo choroso mas já chorámos muito quando os navios partiram e as mulheres dos marinheiros não sabiam se eles voltavam. Nós temos essa cultura, só que o povo carioca também canta muita tristeza ao contrário daquilo que nós achamos, que o fado é muito triste e que o samba é feliz, mas o samba é uma música tristíssima, só que eles têm uma forma feliz de cantar a tristeza e os fadistas não. Os fadistas são mais densos, mais profundos e então consegui ir buscar um bocadinho das duas coisas e tornar este álbum bastante diferente. 

Fale-nos do seu novo álbum “RAQUEL”.

É um álbum muito pessoal porque foi composto, escrito e produzido por amigos. Convidei alguns amigos para compor, o João Pedro Ruela, que é meu manager além de ser produtor do disco, o Tiago Bettencourt que é meu amigo, o Fred Ferreira que é um grande músico que faz parte de projetos incríveis da música moderna, como são os Orelha Negra, Banda do Mar e Buraka Som Sistema, portanto eles trouxeram uma série de variedades de música para o meu álbum e tudo junto resultou neste disco.

Qual a música mais especial? 

O tema ‘Meu Amor de Longe’ é o que que estamos a promover neste momento, se disserem escolhe um tema que retrate o teu disco, é o ‘Meu Amor de Longe’, porque é português. Este é um disco com imensa portugalidade independentemente de ser fado tradicional, é muito português, é tocado por portugueses, composto por portugueses e o ‘Meu Amor de Longe’ é a cara do disco, porque é um disco leve, é um disco feliz e é um disco que arriscaria a dizer ótimo para ouvir nesta altura do verão.
Estou muito satisfeita com este trabalho, já fizemos o CCB, foi a primeira vez que fiz o CCB em nome próprio e foi uma enorme surpresa, porque foi casa cheia, o Festival Caixa Ribeira no Porto que é um festival de fado que tem sido um sucesso, fiz o NOS Alive, e vou fazer o Caixa Alfama em setembro. Este ano, o NOS Alive deu lugar ao fado, o EDP Fado Café e estou muito contente obviamente por ter sido convidada, porque acho giro, é totalmente diferente.

Tem sido um momento muito feliz nestes últimos dois meses, a minha música toca na Rádio Comercial, teve em primeiro lugar esta semana, em 20 lugares com Justin Timberlake, Adele e aquela gente toda e lá estava eu em primeiro lugar e as pessoas abordam-me na rua só para dizerem gosto da tua música, as pessoas conhecem a minha música o que é uma novidade para mim, ter um single, uma coisa que as pessoas sabem que é meu e que cantam, tem sido uma experiência fantástica, muito diferente de todas aquelas que tenho vivido nos últimos 26 anos de música. 

Está a viver uma nova fase? 

Estou a viver com outra plenitude, com outra disponibilidade, a idade também é outra, já não me preocupo tanto com outras coisas, o que é que as pessoas vão achar, é claro que gostava muito que as pessoas gostassem, mas estou mais preocupada em fazer o que me apetece e a partir do momento em que fazes o que gostas acho que as pessoas vão acabar por gostar também, porque é de verdade e portanto este é mais o meu sentido neste momento. Estou preocupada em desafiar-me como cantora, como intérprete, como artista e fazer crescer os temas, porque o disco é uma coisa e ao vivo é outra, é apresentar os temas ao público e fazer com que resultem, no palco é toda uma experiência nova, quase como um restart, na verdade são muitos anos de música, muitos anos de palco já, mas este é um começo, na verdade é um começo.

O que é a múuacute;sica para si?

A música é a minha vida, não vivo sem! Eu sou aquela pessoa que acorda e antes de qualquer coisa – lavar os dentes, tomar café – ouço música! E sou de tal forma influenciada pela música que se eventualmente ouvir a música errada de manhã pode-me correr mal o dia, o meu humor fica logo alterado. A música tem que estar certa, é um defeito profissional, eu não consigo desligar-me da música. Há bocado pedi para baixarem o som da música porque não estava a conseguir trabalhar. Vivo muito a música, transpiro música e não vivo sem. Viver sem música seria realmente muito complicado para mim.

Gosta de moda?

Gosto de moda, mas não sou entendida, não sei discutir moda, não sou viciada, não sei se sou trendy ou não, alguém tem de me dizer. Sou doida por adidas, é um facto, tenho uma coleção de ténis adidas em casa, mas não me preocupo especialmente, não tenho um género, de jeito nenhum – depende como acordo, ora sou muito girly, ora sou muito desportiva, ora sou coquette, ora sou latina. O meu guarda-roupa é eclético até mais não, mas os ténis são provavelmente o meu forte, porque saltos dispenso, só mesmo para trabalhar e quando é necessário.

Qual a sua tendência preferida para este Verão?

Vestidos de linho branco, é exatamente o que eu mais gosto de vestir. Já sou morena e acho que o branco é uma cor que me favorece e depois a ideia de um vestido de linho é sempre fresco, só de pensar num vestido de linho sinto-me logo mais fresca. Adoro rendas brancas, tudo o que é branco, folhos, calções de ganga e linho branco.

Biquini ou fato de banho?

Biquini, claramente! Adoro fatos de banho, acho que é lindo, muito elegante, para quem pode. Eu como gosto de me bronzear, depois acabam por ficar aquelas marcas meio estranhas. Adorava usar um triquini, uma vez que fosse na vida, mas tenho que estar muito bronzeada, por causa das marcas do sol. 

O que não dispensa num dia de praia?

Não dispenso um banho de mar, esteja muito fria a água ou não, é algo que não dispenso. É imprescindível! Eu sou aquela pessoa que não está esturricada, tipo lagarto ao sol. Jogo à bola, jogo raquetes e não dispenso beber uma coca-cola com muito gelo e limão sentada na areia.

Qual o destino de férias que mais gostou, que recomenda ou que deseja voltar?

Havana! Além do Rio de Janeiro, que é uma cidade maravilhosa de facto. O Rio para mim já é quase como ir à terra, já está fora dos meus planos de férias, ir ao Rio é ir à terra. Agora, a cidade que eu conheci e que me fascinou, que recomendo e que acho que uma vez na vida as pessoas deviam conhecer é Havana. Não por causa da temperatura das praias, mas pela cultura, a salsa cubana que eu danço há muitos anos e que adoro, o povo que é dos  mais queridos, mais cultos e que melhor recebem no mundo e a história da cidade. As pessoas perceberem o que é uma ditadura no séc. XXI e o quanto a liberdade faz diferença num país que vive assim há mais de 50 anos e que 70% da população já nasceu sobre este regime político, não conhecessem outra realidade e faz-nos mudar, pensar muito nas coisas, nas pequenas coisas da vida, como ter um telemóvel, ir a um supermercado e comprares o que te apetecer, lá é tudo racionado. São realidades mesmo muito diferentes e mesmo assim é um povo que tem muito orgulho naquilo que é, não são coitadinhos de todo, é um povo orgulhoso, um povo com brio, um povo muito inteligente, dos mais cultos do mundo não há analfabetos em Cuba e é por isto tudo que recomendo vivamente Havana.
Assim que puder quero conhecer São Tiago de Cuba, que é um pouco mais tradicional e menos turístico. Espero que seja muito em breve.

 

Raquel Tavares com sandálias TOD'S

Fotografia: Dário Branco.