Não há Semana de Moda de Milão sem Gucci. E não há Gucci sem o maximalismo exuberante a que Alessandro Michele nos habituou (claro que há, mas não seria a mesma coisa!).

O ambiente luxuoso típico dos seus desfiles foi substituído pela frieza do bloco operatório, que figurava no centro da passerelle, mas a excentricidade continuou a ser o mote principal dos coordenados que desfilaram – a mistura de padrões, os materiais nobres, os detalhes, as sobreposições, os vários tipos de silhueta e a inspiração barroca foram alguns dos pontos altos da coleção.

Mas a moda, principalmente as grandes casas, precisam sempre de um twist original – neste caso, alguns modelos desfilaram com réplicas das suas cabeças debaixo do braço, outros com um terceiro olho (na testa ou na mão) e, por fim, outros mostraram os seus coordenados com dragões bebés ao colo!

O diretor criativo da marca inspirou-se no The Cyborg Manifesto, um livro da autora norte-americana Donna Haraway. A escritora defende a sua posição contra o conservadorismo, principalmente quando o tema é o papel da mulher na sociedade. A obra também estuda a figura ambígua do Cyborg como uma metáfora para criticar o pensamento egoísta em favor da multiplicidade e de uma abertura responsável para a ciência e para a tecnologia.