Diamantino, realizado por Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, estreou dia 4 de Abril nos cinemas portugueses. O filme é um delírio cómico sobre uma superestrela de futebol, protagonizado por Carloto Cotta, que entra em declínio. Em Diamantino conhecemos um Portugal distópico, que alia temas como a clonagem, a crise dos refugiados e a ascensão da extrema direita.

Cleo Tavares, coprotagoniza este filme no papel de Aisha, a agente infiltrada que investiga as movimentações bancárias duvidosas do jogador. Esta personagem humaniza o futebolista, fazendo com que o espetador consiga ver Diamantino não como um herói nacional, mas como um homem comum.

O Betrend esteve à conversa com Cleo, uma das promessas do panorama da representação nacional, para conhecer melhor a sua personagem, as suas vivências e a sua posição quanto à representatividade das minorias. A atriz ainda nos lançou um desafio!

Numa palavra, como defines o filme Diamantino?

Hilariante.

 

Consideras que a tua personagem levanta questões mais sensíveis do universo futebolístico?

Considero que a minha personagem, a Aisha/Rahim, venha revelar a humanidade que há na personagem Diamantino e desmanchar os pré-conceitos à volta dele. Vem levantar ainda, mesmo que de uma forma pouco aprofundada, uma questão sociopolítica da atualidade, os refugiados. Que acredito que seja um problema de todos e não só dos que se veem obrigados a partir em condições desumanas, à procura de esperança e de um novo amanhecer.

 

Esta não foi a tua primeira experiência no cinema. Queres contar-nos um pouco mais sobre o teu percurso?

O meu percurso começou no teatro académico, no grupo chamado mISCuTEm, quando estudava finanças e contabilidade. Depois candidatei-me para a Escola Superior de Teatro e Cinema, fiz a licenciatura em “Teatro – ramo Atores” e foi essencialmente no final do último ano que comecei a trabalhar profissionalmente. Entretanto, no teatro já tive oportunidade de trabalhar com encenadores que já admirava, como o Rogério de Carvalho, a Mónica Calle ou a Sónia Baptista e de participar nas primeiras encenações de jovens criadores como o Mário Coelho e o Pedro Baptista. No cinema comecei no “Verão Danado” do Pedro Cabeleira, logo a seguir conheci o Daniel Smith e o Gabriel Abrantes no “Diamantino” e mais tarde cruzei-me com o Dinis Costa e o Welket Bungué. 

 

Adoras dançar e representar. Consegues ter o melhor dos dois mundos?

Atualmente, tenho-me focado mais na representação, mas a dança é algo que tento sempre trazer aos meus trabalhos, mesmo que seja como forma de preparação antes de entrar em cena. O movimento corporal, dançar, para mim é libertador, pois liberta e desbloqueia os limites da mente, do ser racional, amplia os sentidos. A dança é um dos sítios onde eu sou mais feliz, não existe tempo nem espaço para julgamentos (nem certo, nem errado).

 

Acreditas que através do teu trabalho é possível dar voz às minorias? 

Gostaria que através do meu trabalho fosse possível dar lugar e voz às minorias, também gostava que com isso, as crianças pertencessem a essas minorias, pudessem ter um leque de sonhos maior daquele que eu tive, porque a representatividade traz isso. Contudo, essa representatividade nos formatos audiovisuais e não só, tem de deixar de se basear apenas em estereótipos. Acredito que é necessário conhecer mais sobre as realidades dessas minorias para se falar delas sem ser numa base de pré-conceitos. Com a minha voz gostaria muito de quebrar essas barreiras, de mostrar que existem infinitas possibilidades para a representação desses corpos, sobre uma base humana. Para finalizar lanço-vos o desafio a participarem nesta luta, todos podem ser aliados de força nesta jornada, todos temos esse poder: De mostrar que Portugal é plural e diversificado, todas as pessoas merecem ser ouvidas e têm direito a falar.

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Fotografia – Leonor Fonseca

Styling – Mara Oliveira

Make-up – Inês Cristo

Agradecimentos – Elite Lisbon, Manuela Marques, Priscila Azenha, Torel Palace

Artigo publicado a 5.04.2019