O sol reinava neste início de tarde, que se mostrou perfeito para nos sentarmos no terraço do Palacete Chafariz D’El Rei à conversa com Inês Mendes da Silva. O seu percurso é rico, mas o seu caminho está traçado: a gestão, online e offline, de celebridades (de entre os quais se destaca como Project Manager do Daily Cristina). Acima de tudo? A filha, Amelinha.

1. Ser mãe muda tudo e tudo para bom. Ao fim de 4 anos como mãe da Amelinha, quais os melhores momentos e as melhores mudanças?

O melhor momento foi o momento em que a conheci. O momento do parto e a primeira hora em que ficas isolada com ela é um momento muito forte. Vivi uma gravidez muito alegre: ganhei muitos quilos, é verdade, trabalhei que nem uma louca, estava de 9 meses em Agosto e com um calor descomunal – tinha tudo para ser horrível e foi absolutamente maravilhoso. Aliás, antes de engravidar tinha um acordar muito mal-humorado e a Amelinha mudou-me isso até hoje (obrigada, filha!).

O dia do parto é de facto arrebatador, passei-o a ouvir música com as minhas pessoas ao lado e com um sorriso enorme na cara. É precisamente nesse dia que ganhamos consciência de que há um amor maior, um novo sentido para a vida. Isto é um cliché, eu sei, mas a mais pura das verdades. E para me deixar ainda mais feliz, a Amelinha nasce com uma coisa que eu adoro: covinhas no rosto. Fiquei completamente convencida de que eu tinha nascido para ser mãe! (Risos)

Em termos de mudanças… Passei a ser uma pessoa pontual. Os Mendes da Silva são conhecidos por serem… Menos pontuais! Obviamente que o que quero com isto dizer é que ganhei um sentido de responsabilidade maior. Outra coisa muito importante – antigamente sofria muito quando as coisas corriam menos bem no trabalho, por exemplo, mas hoje em dia apanho a Amelinha na escola, chego a casa, dou-lhe banho, jantar e nesses momentos há sempre um “disparate” qualquer que diz e tudo muda. Faz com que eu seja de riso fácil, no fundo. Pode cair o mundo, mas a minha filha está bem, por isso tudo está bem. Não tem febre, não partiu o braço na escola, está inteira… Então a vida é linda. No fundo, é como se te permitisses ter uma felicidade intocável.

2. Gere, online e offline, parte da vida de muitas celebridades. É quase como se fossem segundos filhos? Como é o seu dia-a-dia profissional?

Há 1 ano foram criadas duas empresas, das quais faço parte desde raiz: a Luvin, que faz gestão online de celebridades, e também a Notable, um projecto de agenciamento, comunicação e gestão de imagem de celebridades – actores, apresentadores, empresários, desportistas. É uma área profissão sem horários, cujos clientes são individualidades. Daí que concorde que se assemelhe muito à vida de mãe. Mas também porque a gestão da vida profissional dessas pessoas passa muito por garantirmos que estão bem. Felizes. Realizadas. Acredito que se estiverem genuinamente felizes com a sua vida profissional e com a forma como aplicam o seu talento, vão ter uma predisposição para a vida e para o trabalho completamente diferente. Costumo dizer que ser agente é ser “fazedor de sonhos” – o nosso dever é ajudar a concretizá-los, trabalhar com alma e coração.

Outra coisa que se assemelha muito à vida de mãe é o facto de, quando existe alguma filmagem, sessão fotográfica, evento ou campanha, termos que nos assegurar que essa pessoa tem todas as condições antes, durante e depois para a realização do trabalho. Numa perspectiva mais global, o planeamento estratégico para uma “celebridade” também é fundamental: trabalhar o presente perspectivando o futuro. Projectar e perceber exactamente para onde e como. Alicerçar bem as ideias para um futuro bem sucedido. O mesmo se passa com um filho: se tiver boas bases na escola, se for bom a matemática, poderá ser um grande engenheiro um dia.

Em relação ao meu dia-a-dia, não há monotonia: posso ter um dia inteiro no escritório (o que é raro), a pôr os emails em dia, enviar propostas, a pensar em projectos novos; mas também posso ter um dia na rua – reuniões encavalitadas, almoços de trabalho, sessões fotográficas, eventos e eu confesso que adoro. Além de que é altamente interessante tomar contacto com tantas empresas diferentes, marcas, estratégias, profissionais, na medida em que me torna mais ampla a visão de mercado e faculta o acesso a novas oportunidades. Privilegio a criatividade em todas as profissões e, sem dúvida que este registo me ajuda a ‘apurá-lo’.

3. A Inês é cheia de pinta, tem mesmo muito estilo. A Amelinha já lhe segue as pisadas?

Muito obrigada pelo elogio! Os filtros do Instagram ajudam muito, não é verdade? (risos) Bem, quanto à Amelinha, pode parecer um pouco egoísta dizer isto, porque parece aquela coisa do “quero uma filha à minha medida”, mas… Ela é mesmo tudo o que eu sempre sonhei. É uma curiosa pelo mundo, quer respostas sobre ele, é altamente feminina é sensível, diz que me ama sem pedir um chupa-chupa em troca e faz por gostar da música que escolho de manhã no carro, como a que tocam os ‘rockistas de cabelo para a frente’, como lhes chama.

Tem um sentido feminino muito apurado e acho que é muito por me ver no closet a preparar-me. Diz coisas como “bem, mãããe, que gira” e pede coisas como ir todos os dias maquilhada para a escola. Quando o fez, e eu respondi: “Não Amelinha, nem pensar nisso” ao que ela diz: “Pronto, então só me maquilho aos fins-de-semana e feriados!”. Dou por ela a escolher a roupa sozinha (acontece esquecer-se de calçar meias) e a pintar as unhas no quarto. Adora a Zara e a H&M, peças douradas e dizer que as calças rasgadas que tem vestidas “estão na moda”. Mini-fashionista em potência.

4. Qual é o seu fashion pleasure?

Ando um bocadinho com a mania dos lenços no pulso, que vejo em imensos looks da Leandra Medine. Adoro-a. Acima de tudo porque me chama mais a atenção uma mulher gira que uma mulher bonita. Um dos meus vícios é viajar pelo Pinterest a inspirar-me nos looks dela. Tenho até uma amiga, a Helena Coelho, muito parecida com ela e ontem ela estava a usar um lenço no pulso e pensei logo – perfeito para usar na entrevista com o betrend! A Helena tem sempre um twist na sua forma de vestir que não encontro em mais ninguém. Por isso, os lenços são um acessório que adoro, pois podemos usar de variadas maneiras e nem têm, necessariamente, que combinar com a roupa, ou seja, quanto mais diferente for o padrão, a destoar, mais giro fica. (Estou a precisar de ir às gavetas da minha mãe que tem milhares). Hoje em dia também gosto muito da tendência das calças à boca de sino e as blusas off-shoulder.

Indispensável: muitos anéis nos dedos, adoro! Os anéis estão para mim como o relógio está para muita gente. Sem eles sinto-me despida. Assim como quando saio de casa sem o meu fio Swarovski ao pescoço – quase um amuleto da sorte.

5. Para quem anda sempre em correrias e dois dias que nunca são iguais; que é mãe e mulher – quais são os melhores truques para ter sempre boa cara no meio dessa loucura?

Tenho sempre 3 pares de sapatos no carro: uns de salto, uns mocassins e uns sapatos mais festivos. E tenho sempre o estojo de maquilhagem comigo. Outro truque é ter sempre comigo o meu batom vermelho da MAC – eu sei que quando o aplico que fico logo com outro aspecto, fico muito mais arranjada.

Outra coisa é ter sempre a placa de alisar o cabelo no escritório, assim como o verniz e a acetona. Pensando bem, o meu carro também tem sempre um vestido a mais.

 

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Fotografia: Dário Branco.

Obrigado ao Palacete Chafariz D’El Rei pela excelente recepção.