Desde cedo que percebeu que a moda era o caminho a seguir. Persistente, lutador e apaixonado são os adjectivos que melhor descrevem o primeiro convidado da nova rubrica #Dentro do Armário.

Pedro Crispim é uma das figuras mais influentes na moda nacional mas não deixa que isso lhe suba à cabeça. O seu currículo acumula inúmeros trabalhos relevantes, mas ficou conhecido pelas suas técnicas únicas de styling e pela capacidade de passar o conhecimento ao próximo através da sua escola de moda. Despojado de qualquer artifício, abriu a sua caixa de Pandora e mostrou-nos tudo o que havia para ver.

Como é que nasceu a tua paixão pela moda?

Sempre gostei do closet da minha mãe, penso que esse foi o meu segredo durante algum tempo. Tocava nas peças, fazia conjuntos com os vestidos, os sapatos e ainda juntava os acessórios. Não sabia a razão daquilo, nem fazia ideia que poderia ser uma profissão… Era tudo muito instintivo!

Qual o caminho que percorreste até chegares onde estás hoje?

São vinte e um anos de trabalho: comecei com um curso de manequim e, a partir daqui, nunca mais parei de procurar formações e de me envolver na indústria da moda e em toda a sua complexidade.
Não me vejo a fazer somente uma coisa, logo todos os meus dias são diferentes. Nesta área, já trabalhei em lojas de roupa como vendedor, faço styling, fashion adviserpersonnal shopper, trabalho como vitrinista e visual merchandiser e ainda dou aulas… Enfim, só sou feliz desta forma, só encontro o equilíbrio neste desequilíbrio e assimetria.

Quais são as tuas maiores inspirações?

Já desfilei, produzi, lancei sapatos e livros, já fiz o styling dos maiores nomes na indústria artística em Portugal, já trabalhei com as melhores marcas nacionais e internacionais. Em televisão, já fiz reportagem, fui comentador, repórter e apresentador. Abri uma escola e lancei a primeira revista digital com capa mensal no nosso país. Hoje em dia, vivo dia-a-dia de forma tranquila e saboreio cada segundo, aprendi que o meu tempo é aquilo que de mais valioso tenho. São nesses momentos solitários, em que eu sou o dono do meu próprio tempo, junto das coisas mais simples e genuínas, no lado orgânico das pessoas, que encontro inspiração.

Qual é a tua parte preferida no processo de te vestires?

Sempre nos acessórios, eles são o ponto de partida para tudo o resto. Gosto de imaginar personagens e brincar com a minha imagem dessa forma.

Qual é a peça de roupa mais antiga que tens no teu guarda-roupa?

Sou viciado em feiras e lojas vintage, tanto em Portugal como fora. Quando viajo estou sempre atento a locais com artigos especiais e a oportunidades únicas. Tenho um chapéu que era do meu avô que, além de ser muito bonito, é uma peça com um carácter emocional muito grande e essas são as peças que mantenho no meu closet e que acrescentam carisma ao outfit. O meu avô comprou o chapéu na Chapelaria Azevedos, na Baixa de Lisboa.

Qual é a peça mais cara? E a mais barata?

Compro as peças porque me apaixono por elas, não ligo nenhuma as marcas! São as peças por si só que me fazem querer levá-las comigo. A mais dispendiosa foi, talvez, um casaco de vison – adoro pêlo! E a mais económica, como adoro acessórios, os mil e um lenços e encharpes que tenho, que entre os de seda, tenho outros de feiras e de lojas low cost.

Qual foi a maior “pechincha” que alguma vez compraste? E o maior desperdício de dinheiro?

As maiores pechinchas que comprei foram algumas peças de criadores com 70% e 80% de desconto. Por exemplo, tenho alguns artigos do Filipe Faisca, que são peças únicas e muito especiais, que comprei numas promoções fantásticas.

Já gastei algum dinheiro em peças que só vesti uma vez, como uns sapatos Louboutin, que de tão desconfortáveis que são, nem os uso!

Uma peça especial para ti?

As peças que me fazem lembrar alguém, que me trazem memórias, que estavam presentes num momento especial… Por exemplo, o meu perfeito (biker jacket) de cabedal da Saint Laurent.

Quais as tuas 3 peças de roupa preferidas neste momento?

Uns botins pretos de cabedal oferecidos por uma pessoa muito especial, os meus óculos escuros da Montblanc, marca com a qual trabalho regularmente, e um casaco de vison cinza, lindíssimo, que comprei para usar no próximo Inverno.

3 tendências que adores? Como é que a incorporas no teu dia a dia?

O denim – que uso diariamente seja com camisas, calças jeans ou casacos – em look total ou cortado com outras peças em outros tecidos. Os anos 70, que aplico através de acessórios, como os óculos, os chapéus e as encharpes, sempre inspirado pela YSL. E a tendência sport, em que uso peças mais clássicas misturadas com outras de cariz mais desportivo. Como por exemplo, sapatilhas e fato, ou bonés com botins, ou t-shirts oversized com números desportivos com calças de cabedal.

Um look que vestes sempre quando não sabes o que usar?

Calças jeans, ténis, boné e blusão de cabedal ou casaco de pêlo, para acrescentar sofisticação ao look.

Instagram – @pedro.crispim

Atelier – Styling Project

Blog – Styling Project Mag 

Fotografia – Teresa Costa Gomes