É uma miúda num mundo de crescidos – check ✔.

É mãe da Mercedes e do Álvaro – e não, não foi paga pela empresa alemã do automóvel que todos vocês desejavam ter. É o epítome do effortless cool e detém um dos guarda-roupas mais desejados de Lisboa, pelo menos, por nós. O que já faz com que toda esta entrevista valha a pena.     ✨

Gosta de escrever sobre moda, cultura pop e tudo o que lhe vai na alma – com um par de duckfaces irónicos à mistura. O Trashédia é o espelho da sua personalidade: é sob o mote “you will be happier with lower standards” que encara o que a rodeia; a diversão é a palavra de ordem, porque a moda, tal como a vida, não é para ser levada demasiado a sério! #TrueStory

Mas não acaba aqui. Veio do campo para a cidade, estudou cinema e música, foi porteira na discoteca Lux/Frágil – lembram-se? Melhores noites das nossas vidas -, apresentou o Inferno no Canal Q e é atriz no Teatro Praga.

É por tudo isto que temos um fetiche pela Joana. Depois, entrevistámo-la. Dispam os pudores.

A moda na tua vida. Penso na Moda como a tal coisa da comunicação não-verbal. E depois divirto-me muito. Não obedeço a regras que não sejam ficções inventadas por mim, daí que vestir-me é mesmo divertido e sempre pouco inocente. É direccionado e intencional. Depois tenho o blogue onde reflicto sobre o vestuário e a sociedade e sobre criadores e arte e estética e ética. E tenho uma pasta magnifica que são os figurinos dos espectáculos do Teatro Praga. Trato do styling da minha Família e de algumas produções pontuais e ajudo amigas e amigos a vestirem-se para ocasiões ou então só para a vida real. Simples.

Inspiração. A minha Filha, porque é a pessoa mais ideal de sempre. A América Latina e abstracções e coisas parvíssimas que invento.

Como começar um look. Pelos sapatos.

Uma antiguidade. Tenho roupa da minha Avó materna e roupa que era da minha Mãe e Tia… Também tenho muito vintage… É difícil dizer com precisão…! Talvez um casaco em dos anos quarenta.

A peça mais cara. A mais cara será a minha tão estimada carteira Goyard, que foi um presente em homenagem ao meu cabelo verde.

A peça mais barata. Tirando tudo o que herdo – é um vestido branco de linho bordado, de cinquenta cêntimos.

Uma pechincha. Umas sandálias Tom Ford.

O maior desperdício. Uns sapatinhos que comprei grávida da minha Filha, que para além de já serem caros, ficaram retidos na alfândega, e que ela nunca chegou a usar, porque gostava mais de andar descalça…!

Um acessório especial. As botas Balenciaga que o meu Marido me ofereceu no Natal passado.

3 peças preferidas. As que me servem! O corpo do pós-parto é um instrumento de felicidade em que a roupa pouco conta.

Um conselho de estilo que já te deram. Nunca ninguém me diz nada a esse respeito. Mas um dia o Filipe Carriço (stylist) disse-me para dizer “carteira” em vez de “mala” e eu achei querido.

Um conselho de estilo que nos possas dar. Que seja lá o que for, vem de dentro.

O conceito de tendência. Não sigo. Nunca segui, faz-me muita confusão. Utilizo as tendências para os figurinos e para trabalhos de natureza comercial, mas nunca para a vida real.

Tendências preferidas. Não sei… Só sei das minhas tendências pessoais, que são um jogo de probabilidades entre o que me serve, com os meus sapatos favoritos, jóias e cores de verniz.

Marcas internacionais. Gosto de olhar para o que faz a Vêtements, porque é conceptual e toca-me no âmago. Depois gosto sempre de ver a Rochas, a Bally, Hermès, Rosie Assoulin, Tibi, Cèline. E gosto daSupreme, da Maryam Nassir Zadeh, Lane Marinho, Osklen, e
adorava que a Bobo Choses fizesse roupa para pessoas crescidas. Amo a Lydia Delgado, Mané Mané e do que o David Delfín fazia.

Criadores nacionais. Gosto muito do Ricardo Preto, do Ricardo Andrez,dos Selva, de quando o Miguel Flor fazia roupa, da La Paz, da Micaela Sapinho e das coisas que a Mariana Sá Nogueira faz.

A moda nacional. Precisa que os criadores encontrem uma forma de veicular as suas criações na indústria, para que as marcas possam crescer e expandir-se e tornar-ve verdadeiramente competitivas no mercado global. É essencial que se veja a indústria e a produção industrial como uma forma de fazer as marcas crescer para chegarem a mais gente, com preços mais acessíveis. É só. E em Portugal, é fácil, porque na lógica do ciclo de produção é possível fazer tudo num raio de 400km de distância, o que ainda por cima é muito sustentável. Mas atenção: também cabe à indústria disponibilizar e abrir esse espaço aos criadores e à sua produção. Tem de ser de parte a parte.

A moda nacional SUSTENTÁVEL. Pronto, continuando a resposta anterior, a sustentabilidade, se for de produção, é procurando produzir dentro de portas, com materiais de origem nacional. É mesmo muito importante pensar no consumo como um acto esporádico e não como um impulso que sintomatiza uma necessidade não primária. Mas vivemos na época do excesso, da precariedade e da pobreza, e da desvalorização do objecto, por isso é difícil pregar a sustentabilidade com algum sucesso. Pelo menos com um sucesso tão massificado como o do consumo rápido e descartável que nos faz querer pensar e exercer sustentabilidade. Mas sim, é o típico consumir menos, mas de melhor qualidade, é pensar que a segunda-mão é uma boa opção e que é possível reutilizar e alterar mil coisas. E que as costureiras e os sapateiros são excelentes formas de prolongar a vida de certas peças… O meu truque para tentar ser mais sustentável dentro da ideia do orçamento reduzido que reservo para me vestir (há mil outras prioridades na minha vida, começando por dois Filhos que são muito mais giros de vestir…!) é escolher materiais naturais, fugir dos sintéticos, aproveitar os saldos, comprar tecidos e mandar fazer à costureira, e cuidar bem das minhas peças. Compro pouco, uso sempre a mesma roupa, e preocupo-me mesmo com isto da sustentabilidade já há muitos anos…

Fotografias – @joanabarrios