Se os olhos são o espelho da alma, Joana Ribeiro não tem nada a esconder. De cabelo levemente encaracolado e maquilhagem natural, o seu aspecto é o reflexo daquilo que é – simples e genuína. Mas até o conceito de simplicidade é complexo e envolve muito mais do que aquilo que conseguimos ver a olho nu.

A dicotomia entre a realidade e a fantasia fazem parte do seu mundo. A facilidade de assumir várias personagens e construir diversas histórias torna-a numa massa moldável digna de inveja das grandes atrizes de cinema. A vida no limbo dá-lhe gosto e o processo de caracterização de uma personagem traz-lhe um prazer infindável. Se a representação fosse simples, qualquer um de nós era capaz de a fazer. Mas a sensibilidade artística está-lhe no sangue e a criação de novas pessoas é o seu dia-a-dia.

Foi no pico do calor do mês de Agosto que entrámos no seu mundo. Despojada de qualquer artifício ou artimanha, Joana abriu a porta de sua casa, convidou-nos a entrar, deixou-nos mergulhar nas profundezas do seu armário e descobrir todos os tesouros perdidos. Tal como na Sétima Arte, a moda também nos permite vestir personagens e foi isso mesmo que fizemos.

Com a capacidade de transmitir mensagens, despertar sentimentos e afirmar posições, a moda é uma poderosa arma de comunicação. Joana não se sente escrava de tendências mas reconhece o impacto que esta arte tem na sua vida: Eu adoro moda mas não me sinto refém dela. Gosto de me expressar e de usar aquilo que me apetece, quando me apetece. A maior parte das vezes uso aquilo que é confortável ou divertido, não gosto de me sentir desconfortável! Sempre achei que a moda tem um papel importante na sociedade e nunca percebi quando dizem que a moda é fútil. A moda reflecte o que se passa no mundo. 

Como seria de esperar, a representação e a Joana são inseparáveis. Quase sem conseguir desenhar uma linha que limita a realidade da fantasia, as personagens que vê na tela do cinema são as suas grandes musas: O cinema é a minha maior inspiração. Confesso que não sou muito de seguir “it-girls” mas há filmes que marcaram o meu estilo e o meu gosto. O cinema italiano e francês dos anos 50 são uma grande influência; todo o guarda-roupa da série Babylon Berlin é espectacular; no filme “Expiação”,  a personagem da Keira Knightley usa um vestido verde que me marcou tanto que ainda hoje associo o filme ao vestido; Jean Seberg no “Breathless”; o guarda roupa da Romy Schneider e da Jane Birkin no “La Piscine”…  E a lista continua!

Com guarda-roupa curado ao pormenor, Joana orgulha-se de ser uma consumidora consciente que evita desperdícios e exageros: A maior parte das peças que tenho no armário têm uma história ou uma memória associada. Não costumo ir às compras regularmente. Mas sempre que vou, penso muito na peça antes de a comprar – tem sempre de ficar bem com tudo o resto que já tenho! Isso é imperativo e é uma regra que nunca quebro!

Tal como as personagens que representa, há peças de roupa que leva no coração e que compõem o seu armário: A gabardine da Burberry que o meu pai me ofereceu quando fiz 15 anos é uma peça muito especial porque foi o primeiro ícone de moda que tive! É um clássico intemporal! Os sapatos da Prada que a minha mãe me ofereceu quando comecei a ir a eventos e não tinha o que calçar, o vestido Dolce&Gabbana que comprei em Capri, quando estive de férias com a minha mãe, o casaco de pele que era do meu avô… Tenho os sapatos que usei em Cannes na estreia do filme”The Man Who Killed Don Quixote”, uma t-shirt que usei no Dancin Days, da minha personagem “Mariana”… Tudo tem uma recordação associada

Forte e decidida, Joana não se prende com clichés. Sem papas na língua nem impedimentos, afirma que não sente necessidade de se manter à tona da água no que toca às últimas novidadesNão sou muito de seguir tendências, aliás, quando algo se torna tendência perco logo a vontade de usar. No entanto,  o cor de rosa é a minha cor preferida e, ao que parece, é uma tendência! Não sei se ainda está na moda mas também adoro fatos de treino! 

A magia da indústria da moda é real e, apesar de não ser fã de tendências, não consegue resistir a certas marcas e criadoresDior, Dolce & Gabbana, Channel, Burberry, Lacoste, Gucci… São tantas! Prada, Miu Miu… No que toca à moda nacional, adoro Filipe Faisca, Katty Xiomara, Diogo Miranda, Dino Alves, Morecco, Nuno Baltazar… Gosto muito destes nomes no geral mas também depende das coleções que cada um decide fazer. 

A par e passo dos seus criadores de eleição, a atriz reconhece que há uma peça de roupa sem a qual não consegue viver: Há peças que devemos ter sempre no guarda-roupa, seja pela sua versatilidade ou pela sua facilidade de usar. Por exemplo, não sei viver sem vestidos camiseiros! Dão para todas as ocasiões e podem usar-se com sandálias, ténis, botas… E o melhor? Basta jogar com os acessórios para conseguir um look descontraído ou mais arranjado!

Mas, como qualquer ser humano, Joana também tem aqueles dias com falta de inspiração em que olha para o armário cheio de roupa e não encontra nada para vestir. Nestas situações, a sua fórmula repete-se sempre: Jeans, t-shirt branca e ténis, nunca falha. Se tiver calor, saia ou calções de ganga e óculos de sol. Adoro óculos de sol e nunca me esqueço deles!

Terminamos entre perucas, gargalhadas e roupa. É neste momento que Joana conta-nos o melhor conselho de estilo que já recebeu: Ser eu mesma e usar aquilo que me favorece! A melhor coisa a fazer no que toca ao estilo pessoal é esquecer o que outros usam ou seguir aquilo me dizem para usar porque está na moda! Há estilos e roupas que eu adoro ver nas minhas amigas mas que jamais conseguiria usar! No fim do dia, ter capacidade para entender aquilo que nos fica bem (e que nos faz sentir bem!) é o mais importante.

 

Fotografia – Teresa Costa Gomes