De cabelos longos, óculos escuros e botas de cowboy, Joyce Doret não deixa ninguém indiferente. A sua maneira despreocupada de enfrentar a vida é contagiante e o seu eterno espírito livre contrasta com a doçura do seu olhar.

Mora no Bairro Alto e não o troca por nada. Combina com a sua personalidade, afirma. É irreverente na essência da palavra e a moda está-lhe no sangue. Desde o design, à direção de arte, passando pelo styling, Joyce junta títulos ao seu currículo e fâ-lo com mestria. O seu último projeto? A Flame Magazineuma revista que explora a moda e a arte de uma forma única e que quebra conceitos estéticos pré-estabelecidos.

 

Como é que vieste parar à indústria da moda?

A minha mãe é produtora de moda, por isso, o bichinho da moda já faz parte do no meu ADN. Desde sempre que estou habituada a conviver com aquele “tira, põe, experimenta” tão característico do nosso trabalho. Mas tudo começou a sério quando tinha 18 anos e participei num concurso da Levi’s, o “Queres ser produtora de moda?”. Eu concorri, fui à final e foi aí que comecei a fazer uns trabalhos de moda. Foi tudo gradual… Entretanto, fui fazendo os books para a Central Models. Depois, fui tirar design e, no fim do curso, tive que fazer um estágio e fui parar à Vogue, no departamento de arte. Depois do estágio, convidaram-me para ficar e acabei por trabalhar lá durante 7 anos. 

 

Até agora, qual foi o trabalho que mais te marcou?

Acho que todos os trabalhos marcam-me de alguma maneira, tanto em bom no mau. Mas, recentemente, tive um grande trabalho, que foi o Elite Models of the World. Fiz a direção de moda do evento inteiro, no Campo Pequeno e no Terreiro do Paço. Foram 3 semanas de trabalho intensivo. Foi giro porque dirigi tudo, tinha uma grande equipa a trabalhar comigo e tive a oportunidade de fazer uma coisa que não fazia, que é desenhar roupa. E, por isso, comecei a brincar: sempre gostei muito de desenhar e este evento deu-me a oportunidade de desenhar roupa para as top models que vinham de fora. Foi muito engraçado!

 

Tens algum ícone de moda?

A Kate Moss sempre foi um ícone de moda, sem dúvida! E a Carine Roitfeld… Diria que elas são os meus ícones de moda.

Quais são as tuas maiores inspirações, tanto para te vestires a ti ou quando vais fazer alguma produção?

As minhas maiores inspirações são as pessoas na rua. O que se usa no dia-a-dia é uma grande inspiração – estou sempre a observar pessoas, não consigo resistir! Depois, a nível de imagem, sou uma fanática da Vogue Paris, faço colecção de todas! E também adoro a Lui, uma revista masculina com um erótico muito bonito. Eu gosto de coisas assim, acho que são revistas bem feitas e tudo me inspira. Até a natureza!

 

Quais são as marcas preferidas?

Zadig & Voltaire, só!

 

Quando escolhes um look, qual é a primeira peça que te atrai?

Começo pela parte de cima, pela t-shirt que vou usar. É mais isso. Mas eu sou muito descontraída, eu adoro vestir as outras pessoas mas odeio vestir-me. Como trabalho todos os dias com roupa, quero ser o mais básica possível – uns ténis, umas botas, umas calças de ganga, uma t-shirt branca e está feito! Não sou nada de me preocupar com a minha própria roupa!

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Qual é a tua parte preferida no processo de te vestires?

Os acessórios! É uma coisa que gosto e talvez a parte em que paro para pensar mais um bocadinho. Sou fanática por óculos e sapatos, por exemplo. E penso sempre qual é a carteira que vou usar com o look que estou a usar – mas é só isto!

 

Neste momento, quais são as tuas 3 peças preferidas?

Gosto muito do vestido preto e fluido que estou a usar, da Zadig & Voltaire. E as minhas botas e o meu casaco de franja de camurça – são eternos favoritos! 

 

E 3 peças que estejam na tua wishlist?

Uma mala da Furla, que ando de olho nela já há algum tempo. Um fato da Zadig & Voltaire que tem umas folhas e umas palmeiras e umas guitarras – é maravilhoso! E as botas da Isabel Marant desta estação, brilhantes, que são de cair para o lado, sem dúvida!

 

As 3 tendências preferidas para a próxima estação?

Gosto muito de peles e gosto muito do lado masculino na roupa. Os fatos completos voltaram, o que acho bastante giro. E não resisto aos brilhos e lantejoulas, porque tanto podem ser usados de dia como de noite. – por exemplo, usar um top com brilhantes conjugado com umas calças de gangas e uns ténis é super descontraído e giro. Gosto desta ideia de desconstrução de tendências! 

 

O que é que vestes quando não sabes o que vestir?

Um vestido preto, sempre! Tenho milhares de vestidos pretos, uns compridos, outros mais curtos. Mas é sempre um vestido preto. Adoro!

 

O melhor conselho de moda que já te tenham dado?

Simplicidade acima de tudo! Keep it simple!

 

E o melhor conselho de moda que nos podes dar?

Sejam vocês próprias, sempre!

 

Instagram – Joyce Doret

Fotografias – Dário Branco