No mês passado a nossa Cover Story foi com a Raquel Strada que tinha acabado de ficar noiva e este mês temos uma recém-casada! Como foi o casamento, foi tudo o que sonhou?

Nunca tinha idealizado o meu casamento, nunca tinha pensado em “ser noiva” nem nada desse género. Pensei “vamos fazer uma festa para celebrar o que temos” e foi muito giro. E só podia, afinal juntamos família e amigos, todas as pessoas de quem realmente gostamos. Estava uma noite óptima, foi uma animação (a banda e o dj foram óptimos), foi tudo muito giro mesmo.

Os vestidos foram feitos por si – e estavam lindos – ficaram como idealizou?

Eu faço vestidos de noiva há 7 anos (por acaso agora tive que parar) e trabalho com duas costureiras excelentes. Este ano tive, acho que, 15 noivas e deixei os meus para o fim. Então foi só no último mês que consegui dedicar-me aos meus, mas como já sabia o que queria foi rápido.

Ficaram tudo aquilo que eu queria, excepto o penteado. Em cima da hora entrei numa campanha e mudei a cor do meu cabelo então acabei por fazer um apanhado, que não era aquilo que tinha pensado. Tinha pensado em levar o cabelo solto, para um visual mais descontraído (bem à minha medida), mas o apanhado correu bem e até foi melhor pois era mais fresco.

Você é mulher, mãe, blogger de muito sucesso, designer e, ainda acrescentamos sem maldade, “shopaholic”. Como é a sua rotina? Se é que consegue ter uma rotina. Como é o seu dia-a-dia?

Não há rotina! O meu dia ideal era ir bem cedo para o escritório, onde tenho um estirador, e ficar por lá a escrever posts, fazer pesquisa, procurar inspiração, desenhar. Eu prefiro estar sozinha, calma, um pouco no meu mundo do que andar sempre na rua, de um lado para o outro, em eventos e reuniões. Também gostaria de poder chegar sempre cedo a casa, passar tempo com o Manel e com o meu marido.

Mas isso não acontece, ando sempre de um lado para o outro (ainda mais quando fazia vestidos de noivas, era uma correria). Entre showrooms, buscar e devolver peças, é seguro afirmar que nunca tenho dois dias iguais. Por exemplo, posso olhar para a minha agenda e pensar: boa, não tenho nada marcado para esta semana, que bom! E, num dia, preencher os dias todos.

Mas a verdade é que esta é a única maneira que eu sei viver… Uma pessoa queixa-se sempre daquilo que tem! Se está a mil quer estar calma, se está calma preferia estar no frenesim de fazer mil coisas diferentes.

Estudou numa das melhores escolas de NYC, a Parsons, estagiou na Jil Sander com o Zac Posen, voltou, escreveu um livro, criou um blog, tornou-se designer.

Eu cheguei e não consegui encontrar emprego, muito menos na área da moda, então comecei a fazer vestidos para as minhas amigas levarem a casamentos. A partir daí a minha carteira de clientes cresceu, comecei a trabalhar com as duas costureiras com quem ainda hoje trabalho, depois comecei a dar dicas e foi aí que comecei a ir com as pessoas às compras para ver de acessórios ou dar sugestões (para usarem quando tivessem casamentos). Entretanto comecei a reparar que as dúvidas eram sempre as mesmas, e surgiu a ideia de escrever o livro. Comecei a escrevê-lo e a fazer as ilustrações. Quando o livro saiu, decidi passar o meu site, onde expunha os meus trabalhos e serviços, a blogue para poder complementar o livro: o livro seria mais de dicas intemporais e o blog uma coisa mais “do momento” e para interacção. Como o livro correu bem e vendeu, o blog também ganhou audiência e a partir daí tem vindo sempre a crescer.

A partir daí criou a sua própria marca, muitas parcerias, e a questão, muito óbvia, é – depois de todo este percurso, o que sente que lhe falta?

Muita coisa! Estou a desenvolver uma app de estilo pessoal, que está a demorar a ser feita, mas é algo que tem que ser bem feito, com opiniões externas e muitos testes, mas que espero que saia em breve. Também gostaria, a longo prazo, de criar uma mini linha de roupa com básicos de boa qualidade.

O blog e estas parcerias não vão durar para sempre, por isso gostava de encontrar um negócio mais sustentável. Gostava de algo que juntasse o desenho e a moda com o digital, que é algo de que gosto imenso: apps, sites, blogs, os second screens, compras online. É onde as pessoas estão, existe muita interacção. Tudo o que está à volta do digital que é relacionado com moda, com a parte social, psicológica, sentirmos um certo tribalismo, um sentimento de pertença a um grupo (a moda) através do digital. Existem vários lados da moda que não o design.

Acabou de chegar de Paris, onde esteve em desfiles, backstages, showrooms e até na festa da Vogue Brasil. Como é voltar a estar presente num evento desta dimensão (sendo que já participou na NYFW como estagiária)?

É muito giro!!! Quando eu estava em NY era tudo normal – era normal estar nos desfiles, era normal estar nos estúdios, era normal ver as celebridades e modelos conhecidas a entrar pelo estúdio, era o nosso dia-a-dia. Acontecia sempre alguma festa, que ia porque “alguém-conhecia-alguém”, e aparecia sempre um actor de cinema ou algum cantor e era tudo normal. No Zac Posen vi imensas vezes a Rihanna, a Madonna, o Puff Daddy era um dos investidores e estava lá imensas vezes, e portanto era tudo normal.

Depois uma pessoa volta a Portugal, passa aqui estes anos em Portugal. Voltar foi uma excitação, uma coisa do outro mundo, ver aquilo tudo, aquele ambiente, aquelas pessoas, viver tudo aquilo novamente. Claro que, mesmo antes, era sempre óptimo e uma grande emoção, nunca foi aquele “Oh, isto é a minha vida” claro, mas agora foi super especial.

Estava completamente em modo star-struck: “Oh meu Deus está ali esta, está ali aquela e aquela e aquela!!!!!”, mas sempre a tentar manter a postura. Elas falaram-nos, deram-nos beijinhos e nós “está tudo bem, respira fundo e keep it cool”.

Com tantas actividades, tantos papéis, tantas facetas… Quem é a “Maria Guedes”?

No meu dia-a-dia sou super simples, terra-a-terra, gosto de estar no meu cantinho com a minha família, assim um circulo um pouco fechado. Também adoro festas e sair, mas agora só de vez em quando. Gosto de programas mais românticos. Gosto de viajar.

Ter qualidade de vida é muito importante para mim. Foi isso que me fez ficar cá. Voltei de NYC, supostamente apenas por 6 meses, mas acabei por ficar. Decidi que queria ficar, apetecia-me mais passar o resto da minha vida aqui: ficar perto da minha família e amigos, criar a minha própria família, do que passar o resto da vida a trabalhar pelo mundo, e sem fins-de-semana e feriados, num ritmo frenético de workholic.

Acima de tudo gosto de estar tranquila, no meu cantinho. E gosto de moda – adoro moda e desenhar!

 

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Obrigado ao Darwin’s Café por nos receber tão bem. 

Fotografia: Dário Branco