Edna Costa de nascimento. Maria Imaginário de coração.

Artista plástica, pintora e ilustradora. Não consegue encontrar uma linha divisória entre o amor que pinta nos seus quadros e a realidade que vive no dia-a-dia. Nem poderia ser de outra forma. O universo visual que desenvolveu ao longo dos anos é demasiado poderoso para ser ignorado: as suas personagens emotivas contam histórias envoltas numa ingenuidade aparente que, combinada com a ironia característica da vida de gente grande, resulta em trabalhos pseudo-fofinhos.

Encontrámo-nos ao fim do dia, no seu apartamento que também serve de estúdio. Entre pincéis, tintas e sapatos, descobrimos tudo o que o seu universo tem para nos oferecer. De mão dada com os corações que enchem as suas telas, as cores e os padrões que habitam o seu guarda-roupa saíram porta fora.

Como nasceu a Maria Imaginário?

Não houve nenhum começo oficial, foi uma coisa que aconteceu naturalmente. Aliás, quando era criança queria ser astronauta e não queria ser pintora. Foi apenas no secundário que percebi o que queria fazer. Foi nesta altura que também quis mudar o meu nome porque achava que Edna era aborrecido. Então escolhi Maria porque é um nome universal e muito feminino e Imaginário porque era um reflexo daquilo que eu era.

Já alguma vez pensaste em mudar o teu nome artístico?

Sim, já senti a necessidade de mudar. Houve um tempo que achei que o nome fosse demasiado Disney ou demasiado extravagante. Mas hoje em dia não, tenho imenso orgulho no nome que escolhi e ainda bem que não mudei.

Qual é a maior diferença entre pintar edifícios, ilustração e exposições? Qual o teu formato preferido?

Acho que não há muita diferença. A não ser a técnica, porque acaba por ser uma extensão de mim. O que gosto mais de fazer é pintar telas! É onde me expresso melhor, onde me posso extravasar mais aquilo que sinto, os meus sentimentos… Posso também perder algum tempo a melhorar o que quero. E é o que gosto mesmo de fazer.  

Quais são as tuas maiores inspirações?

A minha vida, a vida dos meus amigos. Acredito que os meus quadros estão cada vez mais pessoais e acredito que cada vez mais que eles contam a minha história. Aliás, faço questão disso mesmo. No fundo, tudo o que me afecta acaba por afectar os meus quadros. (seja ir à florista e ver flores bonitas, seja o desabafo de uma amiga, ou um filme ou livro que esteja a ler). Sou uma pessoa muito sensível e acabo por ser tocada por tudo – quase como uma esponja, consigo absorver tudo à minha volta.

A tua arte influencia a tua maneira de vestir?

Não, tudo se reflete na minha arte. Não consigo fazer uma separação da minha vida pessoal e do meu trabalho – o meu trabalho sou eu e não consigo desligar! Portanto, eu sou sempre a Maria Imaginário e isso acaba por se refletir na minha roupa. Tal como a minha arte, eu não tenho um estilo muito básico. Gosto de cores! 

Como é que encaras o teu guarda-roupa?

Aflige-me ter muita roupa, por isso, tento ter poucas coisas. Não gosto daquele conceito de ter um closet, aliás, olho para a minha roupa e acho que tenho demais! Não me interpretes mal, acho que sou um bocadinho consumista mas tento que toda a roupa que compro seja especial. É por isso que tenho dificuldade em escolher uma peça ou um look preferido porque tenho um enorme carinho por todos eles. 

Neste momento, quais são as peças que não consegues parar de usar?

Umas calças pretas de cintura subida que são uma cópia de umas calças da minha mãe! Eram dos anos 80, são cintadas e tive de as mandar fazer numa costureira – talvez sejam as minhas calças preferidas! Também adoro estes sapatos vermelhos e rosa e uns ténis de edição especial da Nike. E gosto muito de andar sandálias com meias. E também adoro lantejoulas! É a minha pancada!

Onde costumas comprar a tua roupa?

Tenho muita roupa em segunda mão, alguma é herdada e outra são roupas que comprei. Gosto muito da Feira da Ladra e compro muito no OLX. Também compro em lojas vintage ou no Ebay, de vez em quando. Em feiras que há na rua… Aliás, a minha casa tem muitos móveis restaurados encontrados nessas feiras ou em sites de segunda mão.

Qual foi a última coisa que compraste?

Um casaco vermelho de ganga! Lá está, gosto de coisas coloridas! Nesta primavera, só vou querer usar peças coloridas, por isso acho que vou investir muito nisso. Por outro lado, não tenho básicos e às vezes faz falta para combinar com tanta cor.

Qual é a peça mais original que tens no armário?

A coisa mais original e louca que já comprei foi uma saia em padrão leopardo colorido da colecção da Kenzo para a H&M. Mas depois também tenho imensas coisas vintage. Por exemplo, tenho uma saia que era uma cortina da minha avó ou outra que era um saco do pão – eu gostava do material e decidi transformar numa peça de roupa! Por exemplo, foi preciso algum tempo para ganhar coragem para comprar a camisola que tenho vestida! É Marques’Almeida e comprei-a na Les Filles. Às vezes dou me ao luxo de comprar estas peças mais caras por gostar mesmo e não por ligar a marcas! Tanto compro roupa assim mais cara (como a saia da Kenzo para a H&M) como roupa a 2€ na feira da ladra e gosto igualmente das duas peças!

 

Fotografia – Teresa Costa Gomes