Pronta para atacar estereótipos e mudar mentalidades, Mariana Monteiro não é espectadora de bancada. De mangas arregaçadas e sem nunca perder a pose, a atriz vai a jogo e não quer menos do que vencer.

Entre redes e bolas, o feminismo é a palavra de ordem que comanda a sua existência. Sem medo de abordar assuntos tabu e fazer das redes sociais um meio para veicular as suas mensagens de igualdade e empowerment, Mariana é uma lufada de ar fresco que combina consciência social com estilo próprio.

 

Como é que vês a moda na tua vida?

Para mim a moda é uma forma de me expressar através do que visto. Apesar de acompanhar as tendências, vejo a moda como algo cíclico, tal como é a vida, por isso não me prendo de forma excessiva ao que se está a usar, caso não me identifique. Gosto de estar a par das novas coleções de criadores e das grandes marcas que admiro, mas preciso, acima de tudo, de me relacionar com o que vou vestir.

 

Acreditas que a moda tem poder na vida da mulher?

Claro que sim! Um bom exemplo disso é a história da mini-saia. Esta foi uma peça que trouxe uma grande mudança, nos anos 60, ao desencadear a libertação sexual em Inglaterra. As mulheres começaram a assumir, de forma livre e consciente, o seu corpo e a sua própria sexualidade, longe das regras ditadas pelos homens. Passaram a ter poder de decisão  sobre o que podiam ou não usar, sobre o que podiam ou não fazer. Claro que sabemos que ainda nos dias de hoje o mesmo não acontece em diferentes partes do mundo. A moda foi e será, sempre, um reflexo dos padrões históricos, religiosos e culturais de uma sociedade.

 

Como é que defines feminismo?

Feminismo é um movimento que procura que o usufruto dos direitos e oportunidades, numa sociedade, seja igual, tanto para os homens como para as mulheres. Feminismo é uma força positiva que vai a favor de uma sociedade justa. Feminismo é, ainda, a resposta para uma sociedade evoluída, onde a igualdade de género está cimentada, uma vez que todos/as saem beneficiados/as.

Quando e como é que descobriste as causas de género e o conceito de feminismo? 

O meu pai é sociólogo e trabalhou bastante estes temas e acabava por me transmitir em casa alguns destes ensinamentos. Isso ajudou-me a crescer com a consciência mais ampliada e com vontade de questionar muitos dos dogmas e princípios sob os quais vivemos. Portanto, penso que foi mesmo em casa e na educação que recebi.

 

Quais são as figuras femininas que mais admiras e porquê?

Tenho MUITAS mulheres que admiro e não é fácil ter que eleger apenas algumas. Mas a verdade é que sendo muitas delas de diferentes áreas há sempre um aspecto comum: o ativismo de cada uma, o seu altruísmo e a vontade de lutar por uma ou mais causas. A Catarina Furtado, a Malala Yousafzai e a Camila Pitanga são três mulheres de diferentes nacionalidades, com percursos distintos, mas com missões semelhantes: abrir consciências. Admiro e respeito imenso as três.

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Atualmente, quais é que são os projectos sociais em que estás envolvida?

Continuo a ir às escolas com os dois livros que já lancei sobre os temas da igualdade de género e não discriminação, em parceria com a Betweien. Agora quisemos ampliar esse projecto e temos um novo chamado “Inquietude por Mariana Monteiro”, onde cabem não só os livros já lançados, bem como tudo o que possa surgir relacionado com causas e projectos sociais.

Além disso tenho agora uma “missão” muito bonita, como porta-voz para a juventude da Associação Corações Com Coroa, presidida pela Catarina Furtado. Assim sendo vou estar mais próximo dos/das jovens do nosso país para partilhar conteúdos em que a associação  e eu acreditamos serem uma mais-valia para esta geração.

 

Que mensagem pretendes passar com estes projectos?

Acima de tudo que cada um de nós pode fazer a diferença,  que não devemos ser passivos nas nossas vidas mas agentes ativos e de causas, que a vida é este equilíbrio entre esforço e recompensa, que mais do que pensar no individual é preciso lembrar que fazemos parte de um todo e que esse colectivo também depende de nós.

 

Quais são os teus objetivos futuros? 

Tenho um novo projecto em “marcha” com a Betweien mas que ainda não posso revelar. Gostava e tenho um feeling de que vou poder subir a um palco em breve,  porque a vontade de fazer teatro anda a ser adiada já há demasiado tempo e sinto que não posso adiar mais.

Gostava também de ter oportunidade de fazer mais séries e cinema. Vamos ver o que surge, mas prometo que terão novidades em breve!

 

Fotografia – Teresa Costa Gomes