Quando o estilo é daqui até à lua, é difícil definir uma rota a seguir. Com uma estética que transcende este planeta, The Rocket Man podia ser o seu nome do meio.

Miguel de Athayde de Tavares tem 24 anos, é designer e continua a alimentar a nossa procura incansável pelas contas de Instagram mais underrated de Portugal. Depois de Constança Firmino e Maria Tavares, percorremos o universo masculino e aterrámos num mundo que não é o terrestre.

Com um sentido de estilo pessoal único e com um olho clínico que analisa qualquer detalhe ao pormenor, Miguel é one in a million em tudo o que usa e faz – seja num fato metálico de Filipe Faísca, estilo Vogue meets Nasa, num camiseiro às riscas até aos pés ou num casaco militar.

 

Como é que te apaixonaste pelo mundo da moda?

Penso que foi um amor que já nasceu comigo, na verdade. Não há um momento que eu guarde e que consiga dizer “foi aqui”… Começou desde muito novo, com as Barbies, com as Spice Girls, com a Princesa Diana e com o armário da minha mãe. LGBTQI+ SINCE THE VAGINA, GURL (risos)!

 

Quais são as tuas maiores inspirações?

Pode ser qualquer coisa: consigo sentir-me inspirado por pessoas, por músicas, por filmes e por lugares… Acabo por me sentir inspirado pelo que me rodeia, de uma forma ou de outra.

 

E ícones de moda?

A Princesa Diana! É uma inspiração a 100%, sem dúvida! Desde muito novo que sou obcecado por famílias reais e, em especial, a inglesa. And ‘cause she was THE bomb, of course! A Carrie Bradshaw, pelo guarda roupa beyond amaz, pelo mind set de “I don’t give a f*ck” que fazia com que aniquilasse qualquer look! O Pelayo Diaz, o Simone Marchetti, o Bryan Boy e o Kylle De’Volle . Às vezes, estes ícones nem me inspiram tanto pelo que vestem, mas mais pela atitude! A atitude faz, sem duvida, o outfit. É muito a vibe de poderem estar a vestir the ugliest dress ever, mas fazem-no incrivelmente bem porque têm atitude.

Como é que encaras o teu guarda-roupa?

Eu encaro o meu guarda-roupa da mesma forma como encaro o meu estilo: depende do meu mood no dia-a-dia. Sinto que sou uma pessoa eclética e que posso usar tudo o que quiser. Não vejo o meu guarda-roupa de forma estática – tenho de tudo. Sou tudo! Um dia posso estar muito low profile e sair de casa em modo hetero discreto com uma camisa ou uma t-shirt básica, calças de ganga, ténis e estou pronto (although I’m almost never this guy, só para a missa aos domingos, ‘cause I need to confess my sins) e, no dia seguinte, estar a viver a minha queen fantasy e sair de lantejoulas, ready to roll too! Tudo depende do mood! Eu sou o que me apetecer e aquilo com que me sinto confortável. Ainda que as vezes me entenda mal e saia tudo trocado, mas quem nunca?! O meu guarda-roupa é um beto meets gay meets fashion meets I’m everything I wanna be so please leave me alone and let me live my fashion fantasy. K, bye!

 

Quais são as tuas marcas preferidas?

Alexander McQueen (genius), Dior, Loewe, JW Anderson, Saint Laurent, Ricardo Andrez, Jacquemus… Gurl, we could be here all night!

 

Qual é a peça mais original que tens no armário?

Hard question. Não sei se tenho assim alguma coisa muito FORA ou super original porque, para mim, são tudo básicos (riso). Ultimamente, quando saio à rua, as pessoas têm ficado de boca aberta com umas calças todas em lantejoulas do Ricardo Andrez – é uma peça especial que não passa despercebida!

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Qual é a peça mais cara que tens no guarda-roupa?

Não gosto muito de olhar para as peças de roupa pelo preço, uma vez que, para mim, o preço e o valor são duas coisas diferentes. Aquela poderá ter mais valor, não pelo preço mas pelo que significa, será um casaco do meu bisavô que usei numa edição qualquer da ModaLisboa, há uns anos. Não deve ter sido caro mas é uma das minhas peças mais valiosas.

 

Quais são as tuas três peças preferidas neste momento?

A minha ‘”nova” carteira da Marc by Marc Jacobs, que comprei num Bloggers Market em segunda mão. Apesar de ser uma Rebecca Bloomwood, um shopaholic assumidíssimo, tenho cada vez mais consciência de que temos de parar de comprar fast fashion e apostar no vintage e na segunda-mão (#Bangladesh). A t-shirt “Ready to Wear” da colaboração da Moschino com a H&M e as calças de lantejoulas do Ricardo Andrez SS19.

E as últimas três peças que compraste?

Comprei um casacão do Alexander Wang em segunda mão, através do site Vestiaire (hobby!). Também comprei uma mini bag azul da colaboração da Acne Studios com a Fjallraven e uns Slip Ons da Vans aos quadradinhos ‘cause checkmate, bitch! 

 

Neste momento, o que é que está na tua wishlist?

Para sempre, uma Puzzle Bag da Loewe, umas leather boots Calvin Klein 205W39NYC e um puffer jacket às flores (lindo!) da Bimba y Lola.

 

O que é que vestes quando não sabes o que usar?

Um look monocromático – full black, full grey, full red, full qualquer coisa que não me obrigue a pensar muito e que resulta sempre bem. Ou uma t-shirt básica preta, calças pretas, sapatos e ténis pretos… Ready 2 face the world.

 

Três tendências que adores? E como é que as incorporas no teu dia-a-dia?

Vivi muito, na transição de estações, para a loucura do animal print. Comprei as calças da moda em snake print, ‘cause gurl, that’s my true skin, after all! Usei imenso com peças mais básicas, porque as calças, por si só, já são O STATEMENT. Mas já saturei um pouco, tho! Every basic bitch is wearing animal print e já ninguém aguenta! Adoro a vibe dos coordenados e sets em tweed, super prático porque resolve um look e estamos sempre on point and ready to sign those divorce papers! As mini bags são a tendência para a qual mais vivo!!! Mega práticas, a tiracolo, debaixo do braço, ao ombro, na mão… Vão para todo o lado, não guardam o que não interessa, ‘cause space, e levam só o essencial! Não dispenso!

 

Miguel de Athayde de Tavares – @miguelatavares

Fotografia – Teresa Costa Gomes

Com um especial agradecimento ao criador Filipe Faísca.