O Pavilhão Carlos Lopes foi, mais uma vez, o palco perfeito para a apresentação das coleções de outono/inverno 2018/19.

A 50º edição da ModaLisboa realizou-se no passado fim de semana e mostrou o que de melhor se faz em Portugal. Os criadores nacionais e o sangue novo que promete vingar na indústria juntaram-se e mostraram tudo o que vamos querer usar na próxima estação fria.

O primeiro dia ficou marcado pela mostra das propostas dos jovens criadores. Como já é hábito, o Sangue Novo é a plataforma que dá a conhecer os novos talentos da área do design de moda –  Federico Cina, Rita Sá, Inês Nunes do Valle, Filipe Augusto, Opiar, Federico Protto, N’a Pas de Quoi e Isidro Paiva foram os nomes que abriram a passerelle do evento.

A noite terminou com a apresentação de Morecco, que contrariou a estrutura tradicional de um desfile, dando ao público a oportunidade de se levantar do seu lugar e observar cada peça ao pormenor. Nesta estação, o designer explorou novos materiais, texturas e formas arquitectónicas, com referências ao futurismo dos anos 60 e à rave (que serviu de mote à apresentação). Cores ácidas, estampados, peças bordadas à mão, lantejoulas e técnicas tradicionais são algumas das propostas da marca.

No segundo dia, Gonçalo Peixoto foi uma das estrelas mais brilhantes da ModaLisboa – as Auroras Boreais e as suas matizes inesperadas foram a sua inspiração. O jovem designer trabalhou volumes, assimetrias, sobreposições e contrastes entre cores, formas e tecidos. Hoodies desconstruídosoversized, sweatshirts e vestidos de malha com combinações de cor inesperadas foram as peças chave da sua coleção.

Não há ModaLisboa sem a criatividade ilimitada de Valentim Quaresma. Inspirada num poema de Gilda Nunes Barata, a coleção Raizes remeteu “ao inconsciente, à lembrança sem saudade, à passagem do tempo sem deixar espaço para a nostalgia, a persistência do sonho e a noção do futuro”. Cobre, latão oxidado e pedras foram os materiais de eleição utilizados pelo designer nas suas jóias únicas.

Luís Carvalho inspirou-se nos edifícios e luzes das grandes cidades, bem como nas silhuetas, materiais e grafismos da década de 60. Para a estação fria, o criador apostou em silhuetas retas, longas e oversized, numa paleta de cores fortes e contrastantes: azul royal, vários tons de roxo, vermelho, dourado e o intemporal preto.

O último dia da ModaLisboa serviu de palco a David Ferreira. O jovem talento mostrou a sua coleção Grandma’s Girl e afirmou o seu tipo de mulher:  “moderna, dinâmica e vivida em liberdade”. Pela primeira vez, os códigos do designer são mostrados de uma forma mais relaxada – em tons de bege, dourado, lilás e preto, as peças proporcionam uma elegância sem esforço. A coleção é foi inspirada no guarda-roupa da avó e desenhada para “satisfazer o espírito livre dos prazeres de culpa mais sombrios dos millennials”.

O desfile de Filipe Faísca foi uma viagem ao passado. O criador começou por revisitar a história do tradicional Bordado da Madeira, integrando-o no guarda-roupa da mulher moderna. Assim, juntou-se a tradição às tendências de moda e o labor das bordadeiras ao trabalho das costureiras. Sob o nome 6 Sentido, a coleção está repleta de  vestidos para festas e cocktails, camisas, túnicas e casacos únicos.

Por fim, Ricardo Andrez veio agitar a moda portuguesa. Sob o nome THE TFK´S (TrustFundKids), o criador faz uma crítica social à forma como a juventude encara o legado do streetwear: “o legado do streetwear é moderno; nasceu no cenário do skate, surf e hip-hop na América do Norte, nos anos 80 e 90. Era uma insígnia de honra e underground, simbolizando um movimento fora da indústria da moda. Capturando e analisando o atual estereótipo, o símbolo do progresso faz do streetwear mainstream, saturado de adolescentes com muito dinheiro para gastar. Muitos deles entendem pouco essa herança das marcas e só sabem o que os seus logotipos representam socialmente. Que deus os abençoe.”