Machinist foi o nome que Ricardo Andrez escolheu para designar a sua nova coleção. 

Para a próxima estação, o criador nacional faz uma viagem no passado e recorda Reijn, o navio encalhado na praia da Madalena, em 1988, em Vila Nova de Gaia. Este foi o cenário artificial que serviu de mote à linha de primavera/verão 2018. 

Entre jogos de volumes e assimetrias, Ricardo Andrez dá-nos a conhecer um pouco mais do seu mundo.

Betrend: Qual foi a inspiração para o desfile?

Ricardo Andrez: A inspiração foi um acontecimento real, uma memória de infância que tinha. Era um navio que encalhou numa praia no Porto, que transportava cinco mil automóveis. E percebi, depois de pesquisar, que houve vários grupos de pessoas que saltavam à água e iam ao navio buscar elementos dos automóveis para trazer para casa. Achei interessante isso, primeiro por ser uma colecção Primavera/Verão, a praia, o navio encalhado como monstro na praia, e depois a parte de organização. Foi assim o início desta colecção. Por esta razão vemos os manequins a transportar coisas nas mãos, um pouco a ideia de levar para casa e desviar.

Qual foi a peça que mais gostaste de criar?

Todas foram muito divertidas. Mas há uma que posso dizer que se destaca. É uma camisa que é toda cosida com etiquetas da marca, uma a uma, que fui eu que cosi. Por isso posso falar desta peça. Foram três dias de trabalho contínuo!

Como é que escolheste a paleta de cores e materiais usados na coleção?

A paleta é importante para mim porque não é uma paleta muito óbvia em relação ao tema. Não há azuis do mar, por exemplo. Tentei fugir um bocadinho a isso e também não ser uma paleta tão óbvia para verão. Foi tudo natural. O verde com brilho acho que é um bocado o reflexo da água e partiu dali. Depois tentei não ir aos azuis, e ser um pouco creme, depois precisamos de vermelho, uma coisa mais vibrante.

Quais são as tuas tendências preferidas para a próxima primavera?

Não haver tendências, se possível.

Imagens © Teresa Costa Gomes