A ModaLisboa regressou à capital para 4 dias recheados de criatividade, inovação e originalidade. Sob o conceito Multiplex, a 51º edição do evento foi uma celebração da forma múltipla de viver e fazer moda, uma homenagem a todos os que fazem com que esta arte seja versátil e continue a ter muitas vidas e formas de expressão através de atividades várias e talentos multidisciplinares.

De 11 a 14 de outubro, a ModaLisboa invadiu a nave central do Parque Eduardo VII, o Pavilhão Carlos Lopes, mas não se limitou a este espaço: a Estufa Fria, o Lago do Botequim do Rei e o Museu Nacional de Arte Antiga também foram palco do que melhor se faz em terras lusitanas. A ModaLisboa Multiplex contou com happenings de moda que mostrou o trabalho de jovens criadores nacionais, com Fast Talks, conferências dedicadas à indústria, e com o Wonder Room, a pop-up store da ModaLisboa, que nesta edição reúne dezanove marcas de acessórios, moda e lifestyle.

Os desfiles começaram com o pé direito com a apresentação das coleções dos jovens designers do concurso Sangue NovoArchie DickensCarolina Raquel, Federico ProttoOpiar (Artur Dias), Pu TianquRita Carvalho, Saskia LenaertsThe Co.Re (Inês Coelho e Rachel Regent), Vítor Antunes e Víctor Huarte.

Durante todo o fim-de-semana, o evento deu a oportunidade de vermos de perto as propostas de 21 criadores nacionais, entre os quais, David Ferreira. O jovem criador apresentou uma coleção marcada pela elegância da cor negra. Intitulada “S-T-A-U-N-C-H”,  a coleção foi inspirada no documentário de Albert e David Maysles, Grey Gardens, de 1975. David Ferreira baseou-se na staunch elegance de Big and Little Edies no seu quotidiano decadente, rodeadas pelos escombros do seu passado como membros da alta sociedade Nova-Iorquina.

No mesmo dia, Valentim Quaresma levou-nos numa viagem às influências da Art Deco na arquitetura e da revolução industrial dos anos 20. A coleção, de nome “Revolution”, é marcada sustentabilidade dos materiais numa abordagem contemporânea.

No sábado, a estrela foi Constança Entrudo. A jovem criadora estreou-se na ModaLisboa com uma coleção denominada “Connections” – são as perguntas que despertam a criatividade da designer e que abrem espaço para novas possibilidades. Partindo da ideia de que ‘uma pergunta é uma resposta mas uma resposta não é uma pergunta’, esta coleção absorve-nos para um universo estético e criativo em que a moda toca os limites da arte através de um conceito que também nos leva a fazer perguntas.

Alexandra Moura regressou à passerelle do Pavilhão Carlos Lopes num desfile em parceria com o Portugal Fashion. A coleção “Heirloom” para a próxima primavera/verão reforça a história da designer na sua infância através um recordar das férias na aldeia em Trás-os-Montes, junto à fronteira – Vila Verde da Raia. Luís Carvalho fechou o terceiro dia de desfiles com uma coleção em que a principal inspiração foram as cerejas. As silhuetas dividiram-se entre fluidas e estruturadas, variando entre looks micro/XL e reto/oversizedcom vários estampados.

Por fim, o domingo ficou marcado pelo desfile de Filipe Faísca. “Inocência” foi o nome escolhido para a coleção que se baseou numa pesquisa histórica aos confins da arte que é o bordado da madeira. Dino Alves teve a honra de fechar o evento com uma coleção que reflecte no papel da moda na sociedade. “Tudo o que somos!” segue a premissa de que a nossa imagem deve vir de dentro para fora e a roupa deve ser uma espécie de segunda pele e extensão de nós mesmos.