Sentámo-nos numa esplanada com a apresentadora (e agora blogger) Leonor Poeiras. No âmbito do Tema do Mês do betrend – DIY – quisemos saber tudo sobre o seu novo projecto, o blog Oficina Poeiras. Mas não só… Também perguntámos o que ambiciona para o seu futuro, e ainda descobrimos umas novidades em primeira mão.

Simpática, espontânea, e sempre animada, foi uma tarde que passou a correr. E foi um prazer conhecer melhor a mulher por trás da divertida apresentadora. Conheça também:

 

Betrend: Já sabemos que o Oficina Poeiras surgiu da sua personalidade prática e “desenrascada”, e do seu gosto por colocar “mãos à obra”. Agora queremos saber como está a ser a experiência: está a gostar? Foi uma boa ideia? Está “realizada”?

Leonor: Acho que sim, que foi uma boa ideia. É, de facto, o meu modo de vida, é quem eu sou diariamente – sou muito prática, sou muito desenrascada. Isso também é fruto de ter nascido de uma família numerosa, somos 5 irmãos e portanto eu sou a mais nova e sempre tive que me desenrascar com as coisas que eram deles e que ficavam para mim. É óbvio que gosto porque, na verdade, nada se alterou na minha rotina, simplesmente passei a registar fotograficamente as coisas que vou fazendo no meu dia-a-dia. Tenho muitas coisas produzidas, porque são coisas que vou fazendo, mas não marco “ao terceiro dia vou fazer posts”, eles simplesmente acontecem. Acho que tem tudo para correr certo por isso mesmo: nada é forçado, é tudo muito natural, e não me parece que vá faltar conteúdo porque não me parece que de hoje para amanhã eu vá deixar de arranjar soluções para pequenas coisas que eu necessite para mim mesma, para o meu filho, para a minha casa. Enfim, há sempre soluções de DIY que me agradam muito mais que aquelas que se encontram à venda, ou já disponíveis no mercado.

Do mundo da blogosfera, estou a gostar: é interessante, há feedback, há sugestões, e há um intercâmbio de ideias, que no fundo é o que se pretende.

 

Betrend: Já tinha uma página de Facebook muito activa, mas aqui é diferente…

Sim, é diferente. Aqui dou a conhecer, de uma forma mais fidedigna, a minha personalidade e assumo publicamente um novo lado meu: um lado meu que é pessoal, mas não é íntimo. Não me importo nada com isso, muito pelo contrário, acho interessante para consolidar a minha personalidade pública, para perceberem o que é que eu gosto. É algo que eu partilhava com quem faz parte da minha vida directamente, e que agora partilho com os que ao longe, pela televisão ou redes sociais, também o fazem.

 

Betrend: Qual o espírito da Oficina Poeiras?

O blog chama-se oficina porque cabe lá tudo, engloba várias temáticas, sendo que a carpintaria é apenas uma delas. É DIY – cabe lá tudo: “Gostam do meu corte de cabelo? Boa, eu ensino. Eu digo, eu partilho.”, é esse o espírito do DIY. Não tem que ser grande, pode ser qualquer coisa, desde culinária, a mudar os móveis à jardinagem.

O blog também vai servir para partilhar o que não correu bem: “Olhem, tentei fazer isto assim, não resultou. Amanhã tento outra vez, alguma solução? Alguma dica?”. Eu sou assim, sou muito honesta, a minha vida não é cor-de-rosa e cheia de brilhantes. Sou muito terra-a-terra, não sou uma diva, e quero tornar-me cada vez mais próxima das pessoas. Gosto imenso de responder às mensagens, aos comentários, aos emails, gosto! Dou atenção, inclusive quando não concordo.

É um projecto que comecei agora, é o meu modo de vida, e vão haver muitos projectos –  mas cada coisa a seu tempo. Interessa-me saber que as pessoas estão curiosas, porque vai acontecer muita coisa boa.

Em breve sai um grande projecto, que é a remodelação da minha própria oficina: vai ser um mês em cheio. Vamos ter obra, e logo a seguir a parte de carpintaria. Mas antes disso quero diversificar conteúdos.

 

Betrend: O seu filho tem esse espírito DIY?

Não parte dele, mas envolve-se muito. É claro que ele  fica muitas vezes apenas a ver-me a fazer as coisas. Procuro sempre estimulá-lo, e penso muito em momentos com ele, e para ele, em que ele pode contribuir, e passamos óptimos momentos juntos. É uma alternativa a estar eu ao computador e ele em frente à televisão, assim estamos juntos. Por exemplo, agora eu e uns amigos estamos a construir-lhe uma casa de árvore, e é claro que ele tem que lá estar, tem que decidir qual é a árvore, o que quer. Acho muito importante envolvermos as crianças neste mundo de adultos, e vice-versa: deixarmo-nos envolver no mundo deles.

Raramente estamos sozinhos nestas actividades, muitas vezes ele traz os amigos, e chamamos pessoas – sou uma entertainer de crianças.

 

Betrend: A Leonor transmite a ideia de ser uma pessoa profissionalmente realizada: está sempre animada e feliz nos seus programas da TVI, e já tem um repertório muito variado (do Fear Factor de há 10 anos, até ao Rising Star). Gostávamos de saber o que acha que “lhe falta fazer”, ou seja, o que gostaria mesmo mesmo de fazer profissionalmente no futuro?

Eu não gosto muito de fazer planos porque não gosto de viver desilusões. E por isso sou muito prática e, especialmente no trabalho, consigo ser muito serena e muito pouco angustiada. O meu trabalho é muito pouco estável, e tanto posso ter como não ter, e já passei por todas as fases. É óbvio que há programas que eu olho e penso que adoraria fazer, mas, honestamente, a verdade é que também já os tenho feito.

A minha referência máxima é o programa da Ellen DeGeneres. Acho a maneira ideal de fazer um talk show: alegre e positiva. Identifico-me a 100% com isso. Os portugueses são mais saudosistas (apesar de eu ser portuguesa), gostam de viver agarrados ao que tão bom e tão grande fizemos, mas eu não sou nada assim. Acho que todos nós somos capazes de fazer coisas óptimas, cada ser humano tem uma capacidade incrível de vingar e de ser feliz. É por isso que, profissionalmente, eu me revejo nesse programa da Ellen DeGeneres. Nunca tive um talk show, mas consegui introduzir muito daquilo que, no programa da Ellen para mim faz sentido, num programa que já fiz – o Agora É que Conta. Era a Fátima Lopes que o fazia, depois entrei eu e, quando entrei, não quis fazer o programa como estava, então pedi alterações à estação. A TVI aceitou-as todas, fiquei muito contente. Essas alterações eram cópia do que acontecia no programa da Ellen: um dj, uma rubrica de danças, novos jogos, sempre simples. Eu sou muito pela simplicidade, acho que as ideias simples vingam, não têm o porquê de falhar. E, muito por isso, gosto de avançar muito devagarinho.

Voltando à pergunta, adoraria fazer um talk show como o da Ellen: um day time alegre, acho que é essa a minha onda, o meu adn. Mas também sei onde vivo: não sou americana, a fazer um programa com muito dinheiro e com milhões de pessoas a assistir. Sei centrar-me, perceber que vivo em Lisboa, Portugal, e que trabalho numa estação de televisão que tem muitos outros talentos, muitas personalidades competentes, e que tenho que me cingir um bocadinho. Mas sim, seria um programa que me encheria as medidas, até pela perspectiva de ser longínquo, de ter vida longa, e não algo que dura 2/3 meses.

 

Betrend: Gostaríamos de lhe pedir uma “Dica Exclusiva da Leonor” para as nossas leitoras.

A minha melhor hora não é de manhã, demoro 1 hora e meia a acordar, tenho sempre os olhos inchados, e fico mesmo ensonada. Uma das coisas mais importantes a fazer é desinchar os olhos. Tenho aquelas máscaras próprias, mas para quem não as tem há um truque simples: tenho sempre duas colheres no congelador, e com a parte côncava (a contrária à que enchemos), coloco uma em cada olho. Funciona muito bem mesmo: tonifica, desincha, e enrijece a pele. Ou, para o mesmo efeito, que custa um pouco mais mas é muito eficaz: um cubo de gelo. A Kate Moss dizia, há uns tempos, que para manter aquela pele fantástica de adolescente, enfia a cabeça num balde cheio de gelo, e faz todo o sentido: a água gelada ajuda a combater as rugas e a flacidez. O cubo de gelo, em movimentos circulares até este derreter, é mais eficiente que a máscara que uso, que não chega a todos os pequenos sítios, e com o cubo de gelo vamos controlando.

 

 

Fotografia: Dário Branco.