Catarina Mira, a atriz e blogger residente em Londres, estreia-se no cinema com o filme Solum, realizado pelo ator Diogo Morgado. O filme de ficção científica, relata a história de oito concorrentes, que estão num programa de televisão numa ilha inabitada, lutando pela sua sobrevivência. Catarina Mira, dá vida a Carol, uma botânica inglesa de 27 anos, tendo, por isso, uma sensibilidade especial para com a Natureza.

O Betrend esteve com Catarina Mira, numa tarde solarenga, para descobrir o que a atriz e blogger levaria consigo caso tivesse que estar 1 mês numa ilha e como lidaria com as adversidades.

Qual foi a maior dificuldade que sentiste ao filmares um filme em que terias que lutar pela tua sobrevivência?

A maior dificuldade é a que se sente em qualquer filme feito com pouco budget: a corrida contra o tempo e a falta mãos. Fez-se este filme com um grupo muito pequenino de gente, mas que se desdobrou em várias funções. O Diogo Morgado citou-nos muitas vezes um dos seus mestres, o António Pedro Vasconcelos: “num filme independente as coisas que falham são aquelas que o dinheiro poderia ter resolvido, mas as coisas que correm bem o dinheiro não poderia ter pago”. Para além disso também tive de correr muito, por vezes em terrenos não muito fáceis. Mas na verdade não me posso queixar muito disto, porque o Diogo correu sempre tanto ou mais do que eu com uma câmera nas mãos tendo que, simultaneamente, manter a estabilidade. E isso, meus caros, é quase uma manobra circense!

 

Imagina que em vez de ser a personagem que interpretas serias tu a estar numa ilha inabitada…

Ui, não sei se durava muito tempo. Eu gosto muito de estar comigo mesma e até de viajar sozinha, mas a intenção é sempre conhecer pessoas, outras culturas e encontrar alguma conexão nessa partilha. O ser humano foi feito para viver em comunidade, sozinhos não somos ninguém. 

 

O que te impediria de ser feliz?

A ausência daqueles que mais amo! Como vivo em Londres às vezes já me custa não estar presente em momentos especiais, portanto vivendo no isolamento total acho que não me daria mesmo nada bem. O amor dos meus é, para mim, o ingrediente mais importante nesta passagem que tenho pela vida, não preciso de muito mais para ser feliz.

 

Que livro que escolherias ler vezes sem conta?

Talvez o “Fado” escrito pelo meu pai, Napoleão Mira, porque sempre que o leio parece que consigo ouvir a sua voz, creio que assim de certa forma sentir-me-ia mais perto dele. E, se me permitirem dois livros, levaria comigo também o “Ano da Morte de Ricardo Reis” de Saramago que é um dos meus preferidos, tenho-o quase todo sublinhado tal é o fascínio que tenho pelos puzzles que o autor faz com o português. 

Qual o gadget que estaria sempre contigo?

Um kindle com bateria ilimitada e todos os livros do mundo. Vocês perguntaram-me que livro levaria, mas acho que um ou dois apenas não seriam suficientes. Tendo acesso a uma biblioteca mundial poderia não só entreter-me com várias histórias, mas também aprender mais sobre a ilha: o que comer, como filtrar água, quais as plantas venenosas, como me orientar pelas estrelas, fazer remédios naturais, etc. 

 

Que banda sonora te iria acompanhar?

Os álbuns todos do meu irmão, Sam The Kid, porque me dizem muito e porque têm músicas com letras muito longas e complexas que me manteriam ocupada. 

 

Qual é a peça de roupa que não conseguirias deixar para trás?

Neste caso, umas boas botas militares para poder explorar os locais de mais difícil acesso, ou correr de algum ataque por parte de um animal selvagem.

 

O que deixarias para trás na ilha?

Tudo aquilo que me é acessório, as minhas inseguranças, dependências e comodismos. Acredito que passar por uma experiência dessas, onde se tem de lutar pela sobrevivência, poderá ser uma oportunidade para nos conectarmos novamente com nós próprios. Aliás, sem querer contar o filme, em parte é o facto da Carol encontrar um fascínio pelas coisas simples da vida, que tantas vezes passam despercebidas, que a salva neste filme. 

Se tal como nós não ficou indiferente à beleza de Catarina, fique a conhecê-la melhor no seu Instagram e não perca as novidades no seu blog.

Artigo publicado a 08.05.2019