Ontem assistimos a um marco na Burberry, e na própria Moda, em vários sentidos.

Comecemos pela inspiração da colecção:"Orlando", um romance de Virginia Woolf, bastante conhecido e esteticamente muito influente, desde os anos 20, quando foi publicado. E, quem assistiu ao desfile da Burberry, ontem, em Londres, teve no seu 'gift bag' um exemplar desta obra. Orlando é caracterizado por uma narrativa que faz uma ponte entre passado e presente, como poucas. E é no presente (e no futuro) que a Burberry pensa, sem nunca esquecer, nem deixar de se orgulhar, no seu passado e nas suas raízes, mantendo-se uma das marcas que mais se distingue no panorama actual (da Moda e não só).

A primeira mudança? A localização do desfile. Depois de anos a apresentar as suas colecções no Kensington Palace, a nova colecção foi apresentada na Makers House. Uma lufada de ar fresco, uma mudança que confirmava que estamos perante um "novo passo"!

Ponto 2: tudo o que foi desfilado ontem ficou, logo após o evento, disponível online (e, hoje, nas lojas físicas). Christopher Bailey foi o primeiro a assumir e a comunicar o "hot topic" do momento: as colecções "See now, buy now", que ficam disponíveis logo após serem apresentadas, em vez dos habituais 6 meses de intervalo.

Seguintes? Não assistimos, logicamente, à colecção "Spring 2017", nem tão pouco "Fall 2016". Ontem, conhecemos a Burberry September Collection, com propostas para homem e mulher, mais globais (não necessariamente de Outono/Inverno, já a pensar em vários climas e, claro, num leque mais alargado do mercado). Os desfiles passam, assim, a englobar colecção feminina e masculina, sem uma estação que os distinga. O objectivo? Menos esforço aplicado a apresentações e mais no processo criativo.

A essência da marca mantém-se, as propostas irresistíveis também. A metodologia? Mais adaptada às necessidades dos clientes e à exigência actual (e, claro, futura) da Moda e do próprio comércio. Afinal, não esperávamos menos!