Foi num dia de céu cinzento, com nuvens carregadas de água e ar gelado que a moda desceu até à capital. No passado sábado, a 42ª edição do Portugal Fashion ganhou forma no recém-construído Terminal de Cruzeiros de Lisboa. O Rio Tejo serviu de pano de fundo para as propostas de outono/inverno 2018 apresentadas pelos criadores nacionais.

Como já é hábito, a moda faz-se na passerelle mas é no backstage que a ação acontece. Desde o fitting das modelos à maquilhagem e aos cabelos, o frenesim sentido atrás das cortinas foi capturado por João Bettencourt Bacelar e revelado por nós.

O primeiro dia de Portugal Fashion contou com vários momentos altos que vale a pena registar para a posteridade. A dupla João Branco e Luís Sanchez, mais conhecidos por Storytailors, abriu a passerelle com uma coleção carregada de versatilidade literal – todas as peças são divisíveis através de fechos e conjugáveis entre si. Reversíveis e manipuláveis, as peças compõem uma coleção gender fluid que joga com volumes e diferentes silhuetas.

Seguiu-se Alexandra Moura. Sob o título I’AM, a criadora viajou até ao passado e inspirou-se na sua infância e adolescência. Num olhar retrospetivo que bebe tanto das suas recordações como das suas influências atuais, filmes como Blade Runner E.T. e bandas de rock britânico como Jesus and Mary Chain e The Smiths ganharam forma na sua coleção.

Pedro Pedro foi outro dos criadores que mostrou as suas propostas. Numa coleção inspirada pelo girl power, os coordenados são um update ao guarda-roupa de trabalho de qualquer mulher. Assimetrias, tamanhos oversized, sobreposições e materiais exímios foram alguns dos pontos altos.

Os Manéis, como é conhecida a dupla Alves/Gonçalves, também marcou o presença com uma coleção carregada de propostas extravagantes em cores vibrantes e tons néon que nos transportam para a vida noturna da cidade.

Por fim, a mulher de Carlos Gil manteve-se fiel a si própria com uma coleção cheia de vestidos fluídos às riscas, casacos metalizados extra-cool e pêlo colorido.