Inês Condeço, 24 anos. Ativista dos direitos das mulheres e da comunidade LGBT, a fotógrafa atreve-se a imortalizar o lado mais puro e livre destas pessoas. Ao fotografá-las, Inês reflete também as suas vivências, principalmente, enquanto mulher.

Na série de retratos “Floruerunt”, mulheres e flores relacionam-se de forma íntima e numa simbiose perfeita como se ambas se pertencessem naturalmente. Tal como as flores, independentemente da aparência frágil, também as mulheres crescem de corpo forte, desabrocham e, finalmente, florescem.

Saiba um pouco mais sobre Floruerunt e quem é a mulher por detrás da lente.

Instagram: @inescondeco

Como começou a tua paixão por fotografia?

Segundo o que a minha mãe me conta e do que me recordo da minha infância, andava sempre a querer perceber como funcionavam as máquinas fotográficas e gostava de andar a tirar fotografias a tudo o que podia. A vida aconteceu pelo meio e desliguei-me desta faceta durante uns tempos. No entanto, nunca perdi interesse por fotografia, mesmo que sendo, na altura, como amadora. Na faculdade entrei num curso de comunicação e cultura e sempre gostei de estar ligada às artes. A meio do curso o “bicho” da fotografia voltou, estudei-a e apercebi-me que era isto que queria e devia fazer. A vida e o universo têm feito o resto.

Através da fotografia dás voz aos outros ou é a tua que ouvimos?

Essa é uma pergunta difícil. A minha voz estará sempre presente na minha fotografia. Acho que é algo que não pode estar separado. Enquanto fotógrafa e artista estou sempre a tentar explorar a minha identidade e universos que me interessam e por isso, consequentemente, a minha voz é ouvida. 

Em relação a dar voz aos outros: Quero conseguir fazê-lo. Não sei se já o faço ou não mas quero acreditar que nos meus projetos mostro as identidades das pessoas retratadas.

Como surgiu o projeto “Floruerunt”?

O Floruerunt tem uma história muito curiosa. Esta ideia de fotografar mulheres e flores está presente na minha cabeça há já algum tempo. Dois anos talvez. No entanto nunca avançou. Porque nunca dei o “salto” de dizer a mim mesma que estava na altura de voltar aos projetos pessoais de fotografia, depois do “Gender-fucked Club Kids” em 2017. Em Outubro do ano passado estava numa fase de self-discovery da minha identidade enquanto pessoa, artista, mulher e este projeto voltou à tona. Decidi que era a altura certa.

O que podemos encontrar nesta apresentação do projeto?

Na apresentação do projeto do “Floruerunt” vamos encontrar retratos de diversas mulheres em simbiose com flores e também mais algumas surpresas muito especiais. Prefiro convidar-vos a visitar o espaço e a descobrirem vocês.

A exposição será inaugurada no dia da Mulher. Sabendo que foi propositado, para ti o que significa este dia?

Sim, quis muito que o projeto viesse a público pela primeira vez neste dia. Como feminista, o Dia da Mulher tem para mim um grande significado. E sendo este um projeto de mulheres, com mulheres para mulheres, faria todo o sentido que fosse inaugurado num dia em que celebramos a Mulher e a sua história.

Se procura ideias para este Dia da Mulher, porque não florescer?

ONDE: In Bloom (Rua Lucinda Simoes 5A, 1900-304 – Lisboa)
QUANDO: de 8 de Março (19-22h) a 12 de Março (19-22h)

Artigo publicado a 07.03.2019