Ano após ano, Raquel Prates é considerada uma das mulheres com mais estilo em Portugal. Com uma imagem forte, decidida e um pouco misteriosa, a sua capacidade de bem vestir – atestada pela maioria – é apenas uma das suas muitas qualidades. Senhora de opiniões esclarecidas e de uma cultura acima da média, Raquel, galerista e apresentadora de televisão, é também uma empreendedora sem medo de arriscar.

Depois de uma carreira televisiva, na moda e como galerista de arte, há cerca de um ano e meio Raquel Prates aventurou-se pelo mundo dos blogues. Mas o seu não era o típico “ego blog” onde se partilham looks diários, nem tão pouco um blogue de comentário dae política ou actualidade. O grande objectivo era partilhar com um público ainda interessado em si, um pouco daquilo que a entusiasmava: arte, moda, design.

As coisas evoluíram sem que Raquel abrandasse o ritmo, até que recentemente inaugurou a sua Pop Up Store num espaço de 400 metros quadrados que combina acessórios de moda com exposições de peças de arte, e onde estes se confundem agradavelmente. “Foi um desafio que aconteceu numa conversa, num sábado. No sábado seguinte estava aberto. Aconteceu tudo numa semana.” A Up Boutique, que é uma extensão do Up Blog acabou por se tornar numa vertente que a galerista não estava à espera. “Cada vez recebo mais pedidos de designers e artistas no sentido de visitar os seus ateliês e continuar o trabalho que tenho desenvolvido no apoio das pessoas emergentes na indústria da moda” Depois da loja online e da passagem pelo espaço comercial “Embaixada”, sentiu que a Up Boutique precisava de um espaço maior. Além disso, queria que a exposição das peças comportasse uma dimensão completamente diferente da que estamos habituados a experienciar. A ideia era trazer visitantes ao espaço, mas envolve-los antes numa experiência que desse às peças apresentadas a importância de uma obra de arte. Daí a escolha de designers que fazem peças exclusivas e originais, sempre dentro da sua vertente estética e obedecendo ao seu instinto e gosto pessoal. Nenhum deles trabalha para indústrias, ainda estão na fase inicial de se darem a conhecer ao público e a Pop up Store cria a estrutura para que isso possa acontecer.

Chama-se “Pop up Store” porque aconteceu do dia para a noite, e porque os designers que expõe estão sempre a crescer, a mudar. Neste momento, para além daqueles que lá expõem as suas peças (Manjerica, MMI by London, No Type, Guava, Retromood, Marta Fontes, entre outros….), Raquel continua a angariar mais designers.

 

Como tudo começou

Apesar de já não a vermos na TV, sentiu que continuava a existir um carinho muito grande do público pela sua vida. E foi assim que pensou “porque não criar o blogue?”. Começou-o para partilhar aquilo de que gosta, tudo o que fizesse parte do seu universo pessoal e quisesse mostrar às pessoas. Começou como uma brincadeira. No Up Blog, era procurada por muitas marcas nacionais que lhe pediam que usasse as suas peças, com o objectivo de as divulgar e comunicar, o que a levou a pensar “mas porque é que não fazemos uma coisa mais estruturada? Um projecto com espinha?” Foi assim que decidiu criar um projecto que, mais do que uma loja, pretende ser um espaço de divulgação e promoção: Raquel usava as peças, tentava colocá-las na imprensa e também as comercializava, criando o canal perfeito para que os jovens talentos apadrinhados por si conseguissem chegar aos consumidores.

 

“A Arte é um conceito tão abrangente…”

A sua prioridade é ir ao encontro de um mercado emergente que onde sente que existe uma sensibilidade dos consumidores para o que é nacional. “A Arte é um conceito tão abrangente… é um híbrido. São peças especiais. É uma forma de dar a conhecer o percurso de pessoas que têm um talento fora do normal.”

Muito antes do blogue ou da Up Boutique, Raquel começou este trabalho no núcleo duro das artes: pintura, escultura e artes plásticas. Depois, decidiu casar isso com outra área da arte que sempre a apaixonou: a moda. Não verdade uma coisa não exclui a outra, nem poderia. Para si, tudo abrange a moda: “a arte é uma das principais inspirações da moda, e está condicionada por ela. Por outro lado, na realidade, a moda é apenas mais uma forma de arte. Mais imediata.”

 

“Este tem sido um trabalho de teimosia.”

Sentiu-se compelida a trabalhar desta forma pois sente que estes jovens artistas não têm qualquer tipo de apoio cultural. Sentia muita falta em Portugal de um espaço que fizesse o que hoje o seu faz. Porque é que não existia em Portugal um mercado de acessórios e peças únicas? Porque é que eram um luxo reservado a poucos privilegiados? São peças com uma vertente emocional completamente diferente, não são descartáveis e acabam por ser clássicas. As grandes superfícies sobrevivem porque a moda tem uma vertente mais descartável, mas esse não é o seu objectivo. “Quem me dera que isso se tornasse para massas, mas sei que perderia a sua essência. Estou dirigida sobretudo a um nicho de mercado.

Os jovens designers são muito atentos, muito cuidadosos. Não têm receio da crítica construtiva. Respeitam os artesãos que desenvolvem os produtos deles. A paixão que os designers sentem pelas suas peças é o denominador comum que une todos os artistas convidados por Raquel Prates, e também é essa emoção que pretende transmitir a quem a visita. Olha para os acessórios, para as carteiras, colares, sapatos… como olha para quadros na sua galeria.

Acredita que a cultura portuguesa é aquilo que temos de mais rico, e que esta não tem de ser aborrecida, chata ou intelectual. A cultura é divertida e a nossa tradição é contemporânea. Pode ser usada! É uma luta pelas nossas coisas, enquanto portugueses. É acrescentar, com elementos urbanos e fáceis de identificar, mas oferecendo uma nova leitura das coisas, mais acessível e menos intelectual, mais próxima de quem visita e de quem usa.

 

A Pop Up Store fica na Rua Alexandre Herculano 39A, Lisboa

Durante o mês de Janeiro, os talentos expostos na rubrica do betrend “Born Trendy” vão ser escolhidos a dedo por Raquel Prates, não perca!