Existe uma certa aura associada às it girls. O intocável, o inatingível e o estilo incrível, claro.

É o estado mais puro da moda na sua forma democrática e o epítome da máxima “fashion changes but style endures”. Se pensa que não temos influencers nacionais, think again! Qual Olivia Palermo ou Chiara Ferragni.

Effortless cool e com um toque arrojado, Raquel Strada sentou-se no sofá e partilhou os seus gostos pessoais e os seus truques de estilo.

 

O TEU ESTILO. Não tenho estilo definido, depende muito do que vou fazer no dia. Visto-me mais consoante a ocasião, se vou trabalhar, a um evento ao final do dia ou se vou beber um copo com os meus amigos. Só não me identifico com um look desportivo porque não pratico desporto e não fazia sentido. De resto, a moda permite-me brincar e experimentar vários estilos diferentes e a piada está nisso mesmo!

 

INSPIRAÇÃO. A Alexa Chung porque tem, sem dúvida, o estilo com que mais me identifico. Para além de ser britânica e eu adoro Londres – depois de Lisboa e do Porto é a minha cidade de eleição, adorava viver em Londres – adoro o humor britânico e gosto muito da Alexa porque ela tem essa capacidade de brincar. A Alexa é um ícone em que é a moda que se adapta a ela e não o contrário – é extremamente inteligente! Depois, talvez a Poppy Delevingne, lá está, eu gosto muito do estilo inglês. 

 

MARCAS PREFERIDAS. Depende do mood porque, na realidade, eu gosto de coisas diferentes em dias diferentes. Sou adepta de uma moda democrática e de marcas grandes e acessíveis. Mas também gosto de coisas de autor e que acabam por ser mais caras (também acredito num bom investimento e em comprar uma coisa para o futuro) – acredito que a arte tem de ser valorizada, por isso, consigo perceber que determinadas coisas sejam mais caras que outras.

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PRIMEIRO PASSO PARA COMPOR O LOOK. Começo pela carteira, o que nem faz muito sentido porque, na maioria das vezes, acabo por a deixar em casa! 

 

PARTE PREFERIDA NO PROCESSO DE TE VESTIRES. Mais do que me vestir a mim, gosto de vestir as minhas amigas! Quando nos juntamos em casa e fazemos combinações improváveis e perceber como a mesma peça de roupa fica diferente em várias pessoas – esta é a parte que mais gosto! Adoro isso, a desconstrução. Eu sou mais simples, não uso muitos acessórios, mas gosto de colocar nas outras pessoas, é engraçado… Acredito que tenho uma stylist dentro de mim, não quero exercer, mas acredito que tenho…

 

PARA USAR TODOS OS DIAS. Calças de ganga e uma camisa branca. Sempre. E uns stilettos.

 

TRUQUE PARA USAR SALTOS ALTOS. Não há um truque, é sempre horrível, eu só uso saltos altos porque tenho de ficar um bocado mais alta e ter uma postura mais elegante. Os saltos magoam, mas ao mesmo tempo ajudam a corrigir a postura corporal, que nem sempre é a mais correta. A verdade é que é um mal necessário! 

 

CLÁSSICOS PARA INVESTIR. Umas botas pretas super confortáveis, uma carteira preta da Chanel e umas calças de ganga subidas Mom Fit, da Levi’s.

 

TENDÊNCIAS PARA ABUSAR. Gosto muito dos metalizados nos tons mais prata. Incorporo-os na minha maquilhagem ou em pequeno pormenores, como por exemplo, nos acessórios. Adoro uma tendência que nunca sai de moda – os tons tropa, como o verde seco. Ficam bem em qualquer pessoa e em qualquer estilo, é super transversal. Também gosto muito de tartan, que é um padrão que se está a usar imenso esta estação! Dá para o combinar em qualquer peça de roupa, no guarda-roupa de homens ou mulheres e independentemente da idade. Também dá para brincar com o estilo dos anos 70, que me faz sempre lembrar da série Os Vingadores (para mim, o tartan e Os Vingadores estão sempre muito associados). Adoro!

 

UMA ANTIGUIDADE. O vestidos antigos da minha avó, tenho imensos, de quando ela era quase da minha idade. São vestidos com quase 60 anos! São peças feitas por ela e pela minha bisavó que também sabia costurar. São coisas muito giras e de vez em quando uso-as, não muitas vezes, mais no verão.

 

A PECHINCHA. A peça mais barata que alguma vez comprei foi um vestido que comprei na loja dos chineses, que é roxo. Usei-o uma vez e as pessoas pensavam que era de uma marca conhecida e cara e afinal custou-me apenas três euros!

 

O DESPERDÍCIO. A peça mais cara que já comprei foi um vestido da Louis Vuitton, que foi um disparate, mas adoro-o porque vi-o no desfile e juntei dinheiro para o comprar. É um vestido só para ocasiões especiais.

 

UMA PEÇA COM SIGNIFICADO. Tudo o que as minhas amigas me dão, a minha mãe… Lembro-me de uma coisa que o Tomás, um dos meus melhores amigos, me deu quando tínhamos 15 ou 16 anos. Durante algum tempo, andou a juntar dinheiro para me comprar uma carteira verde alface que eu queria. Eu ligo mais ao esforço e ao facto de as pessoas se lembrarem de mim do que a peça propriamente dita.

 

ACESSÓRIO PERFEITO. Uma carteira de cor, seja de que marca for, é indiferente, porque podes estar com um look mais aborrecido e se colocares um detalhe colorido consegues animá-lo. Por isso, uma carteira colorida ou então um par de sapatos coloridos! O acessório perfeito são mesmo os acessórios no geral, a carteira ou os sapatos certos podem mudar totalmente um outfit.

 

PERFUME DE SEMPRE. É o Chance, da Chanel, é o que uso sempre, uma fragrância que é forte mas ao mesmo tempo floral.

 

PAR DE SAPATOS IDEAL. Uns ténis, da Alls Stars ou da Vans, de uma cor só. Não gosto de coisas com flores ou riscas, prefiro de cores sólidas e lisas. Ou então umas sandálias simples, só com uma tira, como as da Gianvito Rossi. Gosto de coisas simples.

 

Instagram – Raquel Strada

Fotografias – Teresa Costa Gomes