Um final de manhã chuvoso mas num cenário de sonho, conversámos com Paula Lobo Antunes, no Petit Palais do chef Olivier, sobre… Ser Mulher. Mas não só!

 

O nosso tema do mês é A Mulher – a Paula comemorou este ano 40 anos… O que pode dizer às mulheres que nos lêem?

É a procura eterna da felicidade. Encontrar coisas que nos façam felizes, aprender com os nossos erros e fazer com que estes nos façam melhores e mais mulheres. Não terem arrependimentos: temos que ultrapassar momentos difíceis na vida.

Acima de tudo, encontrar um rumo que nos faça felizes e calmas. Sem pressas! Nas casas dos 20 e 30, parece que estamos sempre à procura de algo. Mas, nos 40, sentimos as coisas de outra maneira.

Outra coisa importante é sermos verdadeiros, especialmente conosco próprias.

 

O que mais gosta em ser mulher?

Do poder que nós temos sobre os homens. [risos] Por alguma razão a mãe-natureza é uma mulher. Nós é que somos o portador de criação da Humanidade, temos um grande poder no nosso centro e é muito importante e isso dá imenso poder à mulher. Sejamos mães ou não, isso transmite-nos uma grande força.

A verdade é que “a mãe” é quem nos dá aquele colo e aquele apoio, o carinho que é essencial. E esse é um grande poder que nós temos e que os homens… Não têm! (risos)

 

E, já agora, o que mais gosta em ser actriz? Onde pode desempenhar tantos papéis ao mesmo tempo.

Eu lembro-me de não saber bem o que queria fazer – apenas que não queria um trabalho “normal, das 9h às 17h” – e dizer: “se eu for actriz, posso ser tudo! Posso ter todas as profissões e encarnar todas as mulheres.” E é isso que me faz muito feliz e realizada – poder ser várias mulheres. É o maior dom de um actor, este de podermos entrar em universos tão diferentes e nunca ser monótono! E traz-me imensa felicidade.

 

O seu papel mais importantes, entre todos os outros tão bons que tem: mulher, filha, mãe, actriz…

Neste momento é toda uma conjunção. O meu papel mais importante é ser amiga. Estar sempre disposta a ajudar quem precisa. Seja como mãe, como irmã, como filha, como profissional, como amiga, esse é o papel que eu mais gosto de fazer. É esse o meu objectivo e enquadra-se em tudo o que faço!

 

Fotografia: Dário Branco